17 março

Jáuregui: “O arquiteto é um articulador de diferenças”

“O campo da habitação de interesse social é, sem dúvidas, […]

“O campo da habitação de interesse social é, sem dúvidas, o campo socioespacial que mais demandará criação e investigação ao longo do século XXI”. Quem garante é o arquiteto argentino, radicado no Brasil, Jorge Mário Jáuregui, que participa, na próxima semana do debate “Arquitetura na Favela”, da Semana Aberta – Fragilidades e Desigualdades – UIA2021RIO.

A favela sempre foi objeto de estudo e trabalho de Jáuregui. Ele chegou jovem ao Brasil, em 1977, fugindo da ditadura na Argentina, e se instalou no Rio de Janeiro. Investigou a cidade, o modo de vida de seus habitantes, os contrastes e desigualdades.  Na década de 1990, já estava trabalhando no programa Rio-Cidade e, em seguida, na primeira fase do programa Favela-Bairro, quando participou de intervenções em mais de 15 favelas cariocas, entre elas Vidigal, Fernão Cardim, Morro do Fubá e Rio das Pedras. O trabalho foi reconhecido: Jáuregui teve seus projetos incluídos em uma exposição no Museu de Arte Moderna de Nova York e conquistou o prêmio Veronica Rudge Green para Design Urbano, da Harvard University.

– Quando comecei a trabalhar nas favelas, aprendi a mapear a estrutura do lugar. Foi o mais importante que aprendi. Na cidade formal essa estrutura é evidente; na favela não, nada é óbvio. Há que se saber interpretar, descobrir – ensina.

Para Jáuregui, o arquiteto tem uma função essencial que é a de “articular diferenças” no espaço urbano. “As diferenças não são integradas, mas podem ser articuladas”, diz, acrescentando que “isso tem a ver com não criar bairros socialmente homogêneos, de predominância de um setor socioeconômico cultural; mas promover a mescla sociocultural e de funções, os usos mistos, a permeabilidade público-privado, o equilíbrio entre massa verde e massa construída”, entre outros desafios.

Depois do Favela-Bairro, Jáuregui trabalhou no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) com projetos para os Complexos do Alemão (incluindo o teleférico que mudou a vida dos moradores) e de Manguinhos (onde assina o projeto do calçadão integrado a uma série de equipamentos públicos). Também projetou o Núcleo Habitacional da Rocinha.

Mais recentemente, assumiu o desafio da reurbanização de uma das áreas mais pobres de Santo Domingo, a capital da República Dominicana. A região – com 112 hectares – é chamada de Domingo Savio, abriga os bairros de La Ciénaga e Los Guanules, e fica à margem do rio Ozama. Entre os desafios estão os de resgatar moradores de áreas de risco (cerca de 1,4 mil residências), dotar a região de serviços básicos (saneamento, por exemplo)  e integrá-la com a cidade formal.

O parque linear, intervenção proposta para Domingo Savio, em Santo Domingo, na República Dominicana

No UIA2021RIO, Jáuregui comenta sobre esses e outros projetos e recorre à filosofia para explicar seu trabalho e sua visão de mundo. A conversa é com o colombiano Alejandro Echeverri, conhecido pelo trabalho arrojado que fez em Medellín.

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