23 maio

O adeus ao mestre Paulo Mendes da Rocha

A arquitetura brasileira perde seu maior representante nos últimos tempos: […]

A arquitetura brasileira perde seu maior representante nos últimos tempos: presidente do Comitê de Honra do 27º Congresso Mundial de Arquitetos UIA2021RIO, Paulo Mendes da Rocha faleceu, na madrugada deste domingo, 23 de maio, aos 92 anos.

Vencedor do Pritzker, o principal prêmio da arquitetura no mundo, Paulo Mendes da Rocha foi dos mais reconhecidos arquitetos brasileiros. Ganhou o Leão de Ouro da Bienal de Veneza, a Medalha de Ouro Real do Royal Institute of British Architects (Riba), o Prêmio Imperial do Japão, o Prêmio Mies van der Rohe, entre outros.

Formado, em 1954, pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, de São Paulo, Mendes da Rocha foi convidado, em 1961, por seu principal mestre, João Batista Vilanova Artigas, para lecionar na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP). Tornou-se um dos expoentes da chamada “Escola Paulista”, liderada por Vilanova Artigas. O movimento evidenciava o uso do concreto armado e propunha uma arquitetura “crua, limpa, clara e socialmente responsável”, com estruturas racionais e grandes espaços abertos.

Em 1969, sob a ditadura militar vigente no Brasil, foi proibido de continuar a dar aulas na FAUUSP, à qual só retornou com a anistia política no fim do regime de exceção, em 1980. Mendes da Rocha lecionou na FAUUSP até aposentar-se como professor titular em 1998.

Ao longo de sua carreira, Paulo Mendes da Rocha produziu marcos arquitetônicos da cidade de São Paulo, como o Edifício Guaimbê, o Museu Brasileiro da Escultura, a Casa do Butantã, a reforma do prédio da Pinacoteca e o Sesc da 24 de maio, além de projetos em outras cidades, como o estádio Serra Dourada, em Goiânia, o Museu e Teatro Cais das Artes, em Vitória (Espírito Santo) e o Museu Nacional dos Coches, em Lisboa, Portugal.

Na sua indicação para receber Pritzker, o júri do prêmio citou sua “profunda compreensão da poética do espaço” e uma “arquitetura de profundo engajamento social”. Na avaliação dos jurados, que incluíam profissionais mundialmente reconhecidos, como Frank Gehery e Rolf Fehlbaum, Mendes da Rocha produziu trabalhos reveladores de uma permanente busca de harmonia entre a arquitetura e a natureza enquanto forças congruentes.

Sua obra de arquiteto também o levou a uma intensa atividade como conferencista. Foi convidado para diversos eventos no país e no exterior, entre eles o seminário internacional do Colégio de Arquitetos de Málaga, Espanha (1990); a “Less is more Exhibition”, realizada pelo Colégio de Arquitetos de Catalunya (1996); a Anybody Conference, em Buenos Aires (1996); a XI Bienal de Arquitetura do Chile (1997); os Cursos da Arrábida, da Expo 98, em Lisboa; além de participar de ciclos de aulas e conferências nas universidades do Minho, Porto e Coimbra, em Portugal (1999) e na Escola de Arquitetura de la Coruña, em Santiago de Compostela, e na Sede do Colégio de Arquitetos da Galícia, Espanha (1999).

Ode à cidade

A ideia de fazer do Congresso Mundial de Arquitetos um evento para chamar a atenção da sociedade civil e a convocar para o debate sobre o futuro das cidades sempre teve o respaldo do presidente do Comitê de Honra do evento. Paulo Mendes da Rocha defendia que a arquitetura é um conhecimento peculiar ao ser humano: “todos nós, humanos, habitantes deste planeta, nascemos arquitetos. O homem, por sua condição de existir, é um arquiteto. Na antiguidade, o homem adquiriu a consciência de que precisava estar junto para se proteger, pois isolado não seria possível, e essa é a origem da cidade contemporânea”.

O arquiteto era um apaixonado pela cidade – que considerava a sua casa: “a minha ideia de casa não é a do espaço íntimo; eu gosto de imaginar que estamos bem na cidade ainda que desamparados de uma casa particular… É atraente a hipótese da cidade como a casa do homem; tudo o que nós fizemos, o homem, o indivíduo, na história, foi sempre experimentar a cidade; ninguém vive na sua casa, todos vivemos na cidade”.

Nascido em Vitória, a 25 de outubro de 1928, Paulo Mendes da Rocha passou a maior parte de sua vida em São Paulo, onde esteve internado nos últimos dias em razão de um câncer. Deixa a mulher, Helene, e os filhos Renata, Guilherme, Paulo, Pedro, Joana e Naná.

 

Representantes do UIA2021RIO homenageiam Paulo Mendes da Rocha:

 

“Eu estava na presidência do Instituto dos Arquitetos do Brasil quando convidamos o Paulo Mendes da Rocha para presidir o Comitê de Honra do Congresso Mundial de Arquitetos e ele, mesmo muito ocupado, muito requisitado, e já bastante idoso, aceitou prontamente, como sempre aceitou todas as solicitações do IAB. Paulo presidiu o Instituto em São Paulo por duas vezes, seu escritório funcionava no mesmo prédio da sede do IAB-SP e ele sempre teve uma relação muito forte com o Instituto. Sempre contamos com o seu apoio e, sem dúvida, seu prestígio foi muito relevante para a organização do nosso Congresso. Será uma pena não contarmos com sua presença na entrega da Medalha de Ouro da UIA”Nivaldo Andrade, Vice-Presidente do IAB para Relações UIA2021RIO

“Paulo amava a cidade, considerava a sua morada e por isso ela deveria receber todos com generosidade. Seu legado é este, muito simples: arquitetos amem e cuidem das suas cidades. Cabe ao 27o Congresso Mundial de Arquitetos reverenciar sua memória e as lições que nos ensinou” Elisabete França, coordenadora do Comitê Científico do UIA2021RIO

“Perdemos um gigante. Que o legado de Paulo Mendes da Rocha siga nos ensinando, nos estimulando, nos surpreendendo e que o grande mestre descanse em paz. Vai ser difícil segurar a emoção na entrega da Medalha de Ouro da UIA, que ele acaba de ganhar e que será entregue no último dia do Congresso Mundial,  postumamente. Obrigado grande Mestre!”, Igor de Vetyemy, Comissário Geral do UIA2021RIO e presidente do IAB-RJ

 

 

Receba em seu e-mail as últimas
novidades do UIA 2021 RIO.

Ao clicar em Cadastrar, você declara que concorda com nossa Política de privacidade