17 março

Echeverri: “A crise democrática é a crise das cidades”

“Muito de nossa crise democrática vem do que tem acontecido […]

“Muito de nossa crise democrática vem do que tem acontecido com nossas cidades. Só pode haver um futuro viável para a América Latina e para o Brasil se tivermos um projeto de sociedade que se traduza num projeto para nossas cidades”.

As afirmações do arquiteto colombiano Alejandro Echeverri – responsável por um trabalho marcante de transformação urbana e social em Medellín – em artigo publicado no Brasil em janeiro de 2020, apontam a importância do Congresso Mundial de Arquitetos UIA2021RIO, um fórum de debates sobre as crises e o futuro das cidades.

Echeverri explica seu ponto de vista comentando que, no Brasil, assim como em muitos países do hemisfério sul, não foi desenvolvido um projeto de inclusão socioeconômica e espacial com sustentabilidade para as cidades. “Vemos cidades divididas, onde a segregação social aumenta de forma dramática. Cidades insensíveis, que destroem os sistemas naturais e a biodiversidade essenciais à vida humana”.

O arquiteto é um dos palestrantes do UIA2021RIO e participa, neste mês de março, da Semana Aberta Fragilidades e Desigualdades. Como gerente-geral da Empresa de Desenvolvimento Urbano e diretor de Projetos Urbanos de Medellin, sua cidade natal, entre 2004 e 2008, ele concebeu um plano de desenvolvimento priorizando as áreas mais pobres, com a construção de novas escolas e bibliotecas públicas, parques e centros comunitários com belos projetos arquitetônicos, que redefiniram a paisagem. Duas dessas novas construções levaram sua assinatura: o Parque Explora Museu de Ciência e Tecnologia e o Centro de Inovação e Negócios. Seu programa urbanístico também conectou as áreas de baixa renda ao sistema de transportes, incluindo o uso de teleféricos.

Parque Explora Museu de Ciência e Tecnologia, Medellín

Em consequência, a violência teve uma redução drástica, áreas antes esquecidas sofreram valorização e o turismo na cidade foi aquecido. Hoje, claro, Medellín “não é uma cidade sem problemas”, admite o arquiteto, mas, segundo ele, a metrópole colombiana conseguiu desenhar um futuro viável. “A continuidade das políticas públicas e programas não ocorre com facilidade; Medellín não é exceção. Porém, segue avançando e a razão para que tenha mantido uma história social é a grande quantidade de espaços de colaboração, alianças e construção de diálogos”.

No debate “Arquitetura na Favela”, da Semana Aberta Fragilidades e Desigualdades do UIA2021RIO, Alejandro traz a sua visão sobre o potencial das intervenções urbanas nas condições sociais. Com ele, estará o arquiteto argentino radicado no Brasil Jorge Mário Jáuregui. O encontro é inédito – apesar de explorarem temáticas próximas, os dois arquitetos até então nunca estiveram juntos em um debate.

Alejandro hoje atua no URBAM, o Centro de Estudos Urbanos e Ambientais da Universidade EAFIT, em Medellín, que fundou, em 2010, para investigar as questões urbanas, ambientais e sociais dos países em desenvolvimento com estruturas políticas e institucionais fracas. E também trabalha em seu estúdio Alejandro Echeverri + Valencia Arquitectos, com foco em projetos de baixo impacto ambiental.

Para assistir o debate e saber mais da Semana Aberta acesse:

Semana Aberta UIA2021RIO | Participe gratuitamente

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