13 abril

A arquitetura e as questões raciais e de gênero

“A arquitetura é branca, elitista e machista”. Quem pontua, de […]

“A arquitetura é branca, elitista e machista”. Quem pontua, de forma enfática, é a arquiteta mineira Gabriela de Matos, que participa, na próxima semana, do debate “Gênero e Cultura”, na Semana Aberta DIVERSIDADE E MISTURA do UIA2021RIO. Há dois anos, Gabriela criou o projeto Arquitetas Negras com o intuito de identificar, catalogar, divulgar e potencializar o trabalho de mulheres negras na arquitetura. Formada pela PUC de Belo Horizonte e pós-graduada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ela iniciou um mapeamento, por meio de redes sociais, convocando arquitetas e designers negras a se apresentarem e contarem um pouco de sua realidade e seu trabalho. Em uma semana já tinha mais de 300 participantes. Depois, com um financiamento coletivo que somou mais de R$ 98 mil, produziu a revista Arquitetas Negras, com versões impressa e digital – “um manifesto, para mostrar como é ser arquiteta negra no Brasil”, explicou à época do lançamento da publicação, no ano passado.

Segundo Gabriela, o mapeamento revelou que grande parte das arquitetas negras atuam na área, mas não nos grandes escritórios, e não costumam aparecer nas revistas ou em mostras. Os dados também indicaram a importância das políticas de inclusão – como as cotas raciais e o ProUni (Programa Universidade para Todos): a maioria das arquitetas negras que participaram do mapeamento não tem mais de 10 anos de formadas.

A arquiteta destaca que as questões raciais e de gênero estão intrinsecamente relacionadas à formação das cidades: “a população negra – sobretudo as mulheres – é a que mais sofre pelo mau planejamento urbano”, diz.

Desde que se formou, Gabriela já trabalhou para as prefeituras dos municípios mineiros de Contagem e Governador Valadares. E, em 2014, fundou o escritório Brandão de Matos, em Belo Horizonte. Este ano, ela assumiu a vice-presidência do Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento de São Paulo (IAB-SP) e tem incentivado o debate não somente em torno da visibilidade das mulheres negras na arquitetura como também do papel da arquitetura na promoção da inclusão e da equidade.

 

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