4 março

A “acupuntura urbana” de Fabienne Hoelzel

Participante do primeiro debate do UIA2021RIO, a arquiteta Fabienne Hoelzel […]

Participante do primeiro debate do UIA2021RIO, a arquiteta Fabienne Hoelzel cresceu em Aarau, pequena e próspera cidade na Suíça, com belo patrimônio natural e cultural. Hoje, ela passa boa parte de seu tempo em vielas nas comunidades mais precárias do mundo. Fabienne fundou o Fabulous Urban, uma agência de design urbano, pesquisa e planejamento, focada em atender regiões pouco desenvolvidas. A agência tem sedes em Zurique, na Suíça, e em Lagos, na Nigéria.

Fundada como uma vila de pescadores no final do século 19, Lagos, a capital nigeriana já soma mais de 20 milhões de habitantes, tendo se expandido desordenadamente e por cima das águas. Makoko é o bairro que exemplifica essa expansão: abriga a maior favela flutuante do mundo, com seis vilas, das quais quatro estão sobre a água – em palafitas. Feitas em madeira, as casas se sustentam por estacas; as ruas são canais, disputados por canoas, que trafegam como táxis. Estima-se que cerca de 100 mil pessoas vivam no bairro, em condições insalubres e sob riscos constantes de catástrofes naturais.

Pois é lá que Fabienne tem trabalhado. O Fabulous Urban faz pesquisas junto à comunidade, apresentou às autoridades de Lagos um plano para aumentar o índice de habitabilidade de Makoko e tem feito uma série de ações baseadas no uso do biogás. Banheiros móveis associados à compostagem foram instalados nos locais sem saneamento básico e, posteriormente, foi criado o Makoko Neighborhood Hotspot, um centro de infraestrutura e serviços, com banheiros comunitários e uma pequena usina de biogás. É também um centro de aprendizagem e funciona como uma incubadora de empresas promovendo a transformação de resíduos em energia. “É importante capacitarmos os moradores dessas favelas para que possam melhorar suas condições de vida por conta própria”, diz a arquiteta.

Fabienne destaca que seu trabalho é o de intervir pontualmente no que já existe – encaixando-se no conceito de “acupuntura urbana”. “Você realmente tem que lidar com o que está lá porque as próprias pessoas construíram as casas. Parece caótico, mas as pessoas desenvolveram estratégias para sobreviver”, comenta.

Antes da experiência em Lagos, Fabienne também esteve no Brasil. E trabalhou para a Secretaria Municipal de Habitação (Sehab) do Município de São Paulo, tendo colaborado no Programa de Urbanização de Favelas (2009-2012). Foi depois de coordenar os planos urbanísticos das comunidades de São Francisco, Paraisópolis e Cabuçu de Cima, que ela decidiu criar o Fabulous Urban.

Fabienne (atrás, de vermelho), com moradores da comunidade, no Makoko Neighborhood Hotspot

No dia 22 de março, Fabienne participará do primeiro debate do UIA2021RIO, na Semana Fragilidades e Desigualdades. O tema do debate é A Arquiteura da Inclusão Social e ela estará com a historiadora Maria Alice Rezende de Carvalho, que, entre outras experiências, participou da avaliação do Favela-Bairro, no Rio de Janeiro. A mediação é da jornalista Mariana Barros.

Para assistir, inscreva-se em https://aberto.uia2021rio.archi/

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