3 agosto

Uma nova casa para resguardar a arte popular

Museu do Pontal, no Rio de Janeiro, ganha nova sede […]

Museu do Pontal, no Rio de Janeiro, ganha nova sede

Fundado em 1976, o Museu do Pontal é considerado o maior e mais significativo museu de arte popular do país. Seu acervo – resultado de 45 anos de pesquisas e viagens por todo país do designer francês Jacques Van de Beuque – é composto por cerca de 9 mil peças de mais de 300 artistas brasileiros.

Bonde puxado por cavalos, Antônio de Oliveira

O Museu funcionou por mais de quatro décadas em um terreno de cinco mil metros quadrados no Recreio dos Bandeirantes, zona oeste do Rio de Janeiro. Mas o local passou a sofrer inundações frequentes, que ameaçavam obras preciosas feitas com materiais sensíveis à umidade como madeira, barro, papel machê.

Estudo feito pela Coppe/UFRJ revelou a razão das enchentes: um aterro feito para a construção de um condomínio próximo ao museu, que, então, ficou mais de um metro abaixo das novas ruas vizinhas. Reconhecendo a responsabilidade pelo problema, a prefeitura doou o terreno para a nova sede e parte dos recursos para as obras, que tiveram início em junho de 2016. Mas logo em 2017 o trabalho foi interrompido após um pedido de recuperação judicial da construtora responsável.

Mas as enchentes não paravam. Em 2019, numa das mais violentas, o Museu foi tomado por água barrenta. As obras tiveram que ser removidas. E a direção desistiu de esperar os recursos municipais: partiu para uma campanha de financiamento coletivo e conseguiu sensibilizar a iniciativa privada – empresas e pessoas físicas participaram, garantindo a conclusão da nova sede.

 

Arquitetura e paisagismo dignos das coleções e dos esforços coletivos

 

Finalmente neste 2021, o acervo de mais de nove mil obras de arte popular brasileira está a salvo. E numa sede que promete valorizar ainda mais as obras e atrair até 4 mil visitantes mensalmente.

O terreno tem 14 mil metros quadrados e a maior parte (cerca de 12 mil metros quadrados) é ocupada por jardins, concebidos pelo Escritório Burle Marx, reunindo 73 espécies nativas do Brasil. A intenção foi reforçar a identidade brasileira que o museu representa. Logo na entrada, estão plantas da caatinga, incluindo mandacarus, tradicionais do Nordeste. Também estão presentes árvores frutíferas, como açaís, pitangueiras e cacaueiros e espécies peculiares como ipê, pau-brasil, helicônias, mulungu e paineira.

A área construída na nova sede é de 2.600 metros quadrados e inclui um auditório com capacidade para 194 pessoas, uma sala de exposições temporárias e outra de exposições de longa duração (ambas somando mil metros quadrados), um café e áreas técnicas.

O projeto, do escritório Arquitetos Associados, tem foco na sustentabilidade. A posição do sol e o regime de ventos foram estudados e só 30% dos espaços são refrigerados por ar-condicionado. O prédio tem linhas retas, pé direito alto (8 metros), janelas com quebra-sol (brise-soleil) e ventilações cruzadas; explora a iluminação natural e prevê o reuso da água de chuva e a coleta seletiva de lixo.