POR

Respeito e valorização da história e da cultura

13/05/2020

“O arquiteto é um otimista. É necessária uma dose forte de otimismo – e também de bom humor – para seguirmos adiante”. Quem diz isso é Fuensanta Nieto, uma das mais importantes arquitetas espanholas da atualidade, que já confirmou vir ao Rio de Janeiro, em julho do ano que vem, como palestrante do UIA2021RIO.

Junto com Enrique Sobejano, também espanhol, Fuensanta fundou, em 1985, o escritório Nieto Sobejano Arquitectos, atualmente com sedes em Madri e em Berlim e trabalhos na Áustria, Estônia, Marrocos, China, Reino Unido, França, além de Espanha e Alemanha.

Grande parte da obra de Fuensanta é voltada à cultura e ao patrimônio. Não faltam em seu portfolio projetos de grandes museus, icônicos, como o San Telmo, em San Sebastian, o Centro de Arte Contemporânea, em Córdoba, o museu Madinat al-Zahra, também em Córdoba, o Palácio de Congressos de Zaragoza – todos esses na Espanha – e o anexo do Joanneum Museum, em Graz, na Áustria.

Esse último é uma intervenção entre três edifícios, de diferentes períodos históricos, que, aos fundos, compartilham um mesmo pátio: o Museu de História Natural, do século XVIII, a Biblioteca Regional da Estíria e a Nova Galeria de Arte Contemporânea, construída no final do século XIX. Para criar um acesso comum, com salas de conferência, áreas de leitura, lazer e serviços, e também um piso para arquivos e almoxarifado, a arquiteta optou por usar o subsolo, reconhecendo o valor da construção histórica existente. Externamente, as novas áreas são vistas por meio de superfícies de vidro, que também permitem iluminação natural ao subterrâneo. À noite, inversamente, é a luz artificial do subsolo que ilumina a praça.

Fuensanta defende que, quando um arquiteto trabalha num edifício histórico, deve fazer a leitura de tudo o que se passou naquele lugar desde sua criação. “A adaptação desse edifício, por sua vez, possivelmente não será a última e também fará parte da história e terá que ser compreendida no futuro”.

Outro projeto em que sua arquitetura contemporânea é mesclada com a arquitetura histórica é o do museu no Castillo de la Luz, em Las Palmas, nas Ilhas Canárias, que recebeu menção especial do júri do Prémio de Arquitectura Espanhola 2015, do Conselho Superior dos Colégios de Arquitetos de Espanha.

O Joanneum Museum, em Graz, Áustria
O museu San Telmo, em San Sebastian, Espanha
O Palácio de Congressos de Zaragoza, Espanha

Nanda Eskes e a contribuição do cidadão

Da Espanha de Fuensanta Nieto, voltamos ao Brasil, de Nanda Eskes, mas com uma passadinha pela França, país que infuenciou a formação e o trabalho da arquiteta. Carioca, ela se graduou pela École Nationale Supérieure d'Architecture de Paris-Belleville e colaborou, por muitos anos, com o arquiteto francês Christian de Portzamparc. Com ele, trabalhou no projeto da Cidade das Artes, no Rio de Janeiro.

Nanda também tem obras que conciliam muito bem a arquitetura contemporânea e construções históricas. Junto a seus sócios no Atelier 77, ela assina, por exemplo, o projeto da Casa Firjan da Indústria Criativa, vencedor, em 2012, do concurso promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro.

A Casa Firjan é um centro cultural inaugurado em 2018 num local que guarda histórias da cidade do Rio de Janeiro – o Palacete Linneo de Paula Machado, por mais de um século pertencente a uma das mais tradicionais famílias da elite carioca, os Guinle, que legaram ainda outros grandes monumentos à cidade, como o Palácio Laranjeiras (atual sede do Governo do Estado) e o hotel Copacabana Palace.

No estilo francês Beaux-Arts, que marca a arquitetura do início do século XIX no Rio de Janeiro, o palacete foi mantido como protagonista e seus jardins revalorizados. O projeto de Nanda Eskes agregou um edifício, com dois blocos, que funciona como um pórtico para o local. O destaque no novo edifício é a praça elevada – uma área de convivência aberta entre os dois blocos.

A Casa Firjan rendeu ao Atelier 77 o segundo lugar no Prêmio Saint-Gobain de Arquitetura, em 2018, por suas características de sustentabilidade e harmonia com patrimônio histórico. No ano seguinte, outro projeto do escritório foi destacado com o sexto lugar do Prêmio Sain-Gobain: o da Casa Gamboa, a revitalização de um sobrado, dos anos 1920, na região portuária do Rio.

Presidente do Instituto Casa – Convergências de Arte, Sociedade e Arquitetura, Nanda Eskes também tem feito projetos comunitários e de cunho social, como o Centro Comunitário Homeless World Cup, equipamento de uso público para a prática esportiva.

Em todos os seus trabalhos, a arquiteta procura o vínculo com a história, a cultura local e com o usuário. Para Nanda Eskes, “a contribuição da sociedade é o que dá sentido e garante qualidade, eficiência e sobrevivência aos projetos de arquitetura”.

A Casa Firjan
O Palacete Linneo de Paula Machado, à frente no novo edifício da Casa Firjan
O Centro Comunitário Homeless World Cup


Realização

Promoção

Parceiros Institucionais

Apoio Institucional

Parceiro em Artigos & Projetos

Parceiros de Mídia

Agência de Viagens

Expo

Produção