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A diversidade, o compromisso social e a qualidade da arquitetura na América Latina

19/11/2020

“É importante contar com esses espaços de discussão e confrontação de projetos construídos, pois são oportunidade de avaliarmos as distintas respostas que geramos para a transformação das cidades, do habitat, das sociedades”, defendeu a presidente da Bienal Panamericana de Arquitetura de Quito BAQ 2020, Maria Samaniego na cerimônia virtual em que foram anunciados os vencedores da terceira edição do Prêmio Oscar Niemeyer.

Criada pela Rede de Bienais de Arquitetura da América Latina - REDBAAL, a premiação ocorre a cada dois anos, apresenta um dos mais ricos panoramas da arquitetura contemporânea do continente e tem as chancelas da Federação Panamericana de Associações de Arquitetos – FPAA e da Fundação Oscar Niemeyer.

Nesta terceira edição, 101 projetos foram inscritos - todos premiados em bienais de seus respectivos países - e 20 foram selecionados como finalistas. Representando sete países, eles estão reunidos em uma exposição virtual disponível no site da REDBAAL. Para Handel Guayasamín, Diretor Executivo da Rede, a mostra conduz “a uma viagem extraordinária pela produção arquitetônica latino-americana que dia a dia floresce de suas raízes indígenas e cresce em sua vigorosa miscigenação africana, europeia, asiática e global”.

Na cerimônia de premiação, Handel falou sobre a responsabilidade implicada na produção do Prêmio: “temos cerca de 20 bienais de arquitetura na América Latina que reúnem uma média de 4 mil projetos – 2 mil por ano. Metade deles são construídos e envolvem equipes que podem ter em média 10 pessoas no projeto e mais outras 50 nas obras. Somamos, então, 120 mil pessoas nestes projetos a cada ano. Então cada um destes projetos deve ser considerado e avaliado muito responsavelmente”.

O diretor também destacou a diversidade dos projetos no que se refere às suas funcionalidades – são equipamentos culturais, educacionais, habitacionais, de interesse social, de saúde, religiosos, administrativos, comunitários entre outros – e comentou que são inscritos projetos de empresas consagradas assim como de jovens arquitetos, coletivos, grupos multidisciplinares.

Por fim, Handel reforçou que os projetos mostram “uma arquitetura responsável com seu contexto social, cultural, urbano ou natural”.

Os vencedores

1º lugar - Edifício Municipal de Nancagua, projeto do Beals Lyon, estúdio de Alejandro Beals e Loreto Lyon, no Chile.

Nancagua é uma pequena cidade rural da zona central do Chile. O edifício da prefeitura fica próximo ao antigo Parque Municipal e a outras construções de interesse histórico. O projeto teve, portanto, o intuito de reativar e valorizar o patrimônio local construído e natural. E a proposta foi explorar o vazio como catalizador da vida pública – “assim como acontece em outros espaços com grande vocação cívica, como a ágora de Assos na Grécia, ou a Praça de San Marco em Veneza”, comentam os autores na descrição do projeto.

Foi desenhada, então, uma praça pública que é como uma passagem a vincular a cidade com o parque – “um vazio urbano que permite uma ampla gama de situações e eventos, sejam individuais ou coletivos”. A estrutura administrativa se instala nos limites dessa praça.

“Galerias transformadas em uma colunata regular, que devem suas medidas e materialidade às galerias do que fora o antigo casarão do parque, e que serviram anteriormente como prefeitura, são o que define e unifica este espaço público central. Ao mesmo tempo, embora em uma escala menor – mais doméstica, por assim dizer – é nessas galerias onde acontecerá grande parte da vida cotidiana no lugar, ocultando tudo o que possa acontecer de imprevisível ou incontrolável no edifício por trás.”

2º lugar – Hospital Público de Urgência de São Bernardo do Campo, projeto da SPBR Arquitetos, empresa de Ângelo Bucci, no Brasil

Uma das mais notáveis estruturas hospitalares do Brasil, inaugurada em plena pandemia, o Hospital Público de Urgência de São Bernardo do Campo, leva a assinatura de Angelo Bucci, palestrante confirmado no UIA2021RIO.

O edifício soma 20.600 m² de área total. Mas tem um desenho primoroso que favorece o fluxo e a orientação de equipes médicas, funcionários e visitantes. O projeto é todo segmentado de forma funcional.

No térreo, estão os primeiros socorros, triagem e uma Unidade de Decisão Clínica, que identifica o grau de risco do paciente. Casos críticos são atendidos no centro do edifício (as salas de cirurgia e UTIs ficam logo acima da unidade de decisão, no primeiro andar), enquanto aos de menor gravidade são reservadas as extremidades, acessíveis com menor urgência.

Fachadas de vidro – do piso ao teto – permitem aos pacientes contemplar a paisagem externa. E não falta uma área um pouco mais aberta como uma praça, para descanso e o necessário relaxamento das equipes médicas em seus intervalos de trabalho.

Atento às restrições orçamentárias do sistema público de saúde no país, Bucci também buscou uma arquitetura que permitisse redução no consumo de energia: brises de chapas metálicas brancas protegem os quartos da incidência direta do sol dispensando o uso de refrigeradores.

3º lugar – Instalações da Universidade de Piura, no Peru, projeto da Barclay & Crousse, de Sandra Barclay e Jean Pierre Crousse

No norte do Peru, a cidade de Piura se insere em uma paisagem árida. O campus da universidade ocupa mais de 130 hectares de bosque seco. No projeto de ampliação das instalações de ensino, duas considerações foram determinantes: primeiro, a de que seriam privilegiados espaços para encontros informais e a troca de conhecimento deveria ser estimulada dentro e fora das salas de aula. Fora isso, a arquitetura precisaria proporcionar conforto, enfrentando as características climáticas da região ensolarada, quente e seca durante todo o ano, com poucas brisas de vento vindas do sul.

Foi composta uma constelação de 11 edifícios, de dois e três pavimentos, interligados por rampas, becos, pátios e jardins, dentro de um perímetro quadrado de 70 x 70 metros. A separação entre estes edifícios favorece uma melhor ventilação e iluminação natural dos espaços internos e externos. Cada um deles conta com a sua própria cobertura e elas se aproximam de forma a deixar apenas estreitas faixas por onde a luz penetra porém, evitando a incidência direta dos raios de sol nos espaços interiores.

O edifício foi implantado em uma clareira em meio ao bosque seco. Na parte externa, as fachadas norte e sul contam com brises solares verticais e as fachadas leste e oeste, mais expostas ao sol, contam com elementos que filtram a luz solar e espaços semi abertos que fazem a intermediação entre os espaços abertos e fechados evitando o ganho de calor excessivo nas salas de aula.

Além destes três vencedores, o Prêmio Oscar Niemeyer reconheceu, com menções honrosas, os seguintes projetos:

  • Capela Ingá-Mirim, do escritório Messina | Rivas, de Rodrigo Messina e Francisco Rivas, no Brasil;
  • Escola Produtiva Rural, dos próprios estudantes do Bachillerato Rural Digital No. 186 junto ao escritório Comunal, de Mariana Ordóñez Grajales, no México;
  • Edificio Bonpland, do escritório Adamo Faiden, de Sebastián Adamo e Marcelo Faiden, na Argentina.

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