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Arquitetura social: veja os projetos selecionados na terceira edição da mostra Novos olhares

26/10/2020

Em outubro, na terceira edição da mostra Novos Olhares, que reúne projetos de estudantes de arquitetura, a Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo – ABEA recebeu 39 trabalhos vindos de nove estados brasileiros: Amapá, Goiás, Minas Gerais, Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina e São Paulo. O tema da edição foi a Arquitetura Social e a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas – ONU. Sete trabalhos foram selecionados e trazem propostas inovadoras muito bem fundamentadas e apresentadas.

Os projetos escolhidos são:

A Casa de Jajja – moradias autoconstruídas por mulheres em zonas rurais

Autora: Mariana Montag Ferreira
Professores orientadores: Lucas Fehr, Ricardo Carvalho Lima Ramos e Sasquia Hizuru Obata
Universidade Presbiteriana Mackenzie
São Paulo, SP

O projeto foi concebido por meio de imersões em Kikajjo, comunidade em Uganda, África Oriental, em um processo que envolveu a participação direta da líder comunitária Jajja, de 76 anos. Os trabalhos de campo incluíram levantamentos etnográficos e técnicos e prototipagem. Foram investigados recursos e técnicas locais.

Depois, para viabilizar as obras, foi promovida uma campanha de financiamento coletivo e oficinas de construção visando proporcionar às mulheres da comunidade capacitação técnica, empoderamento e autonomia. A obra foi concebida, executada e concluída de modo participativo. O júri destacou a “total aderência ao tema da edição”: do processo à função social do projeto.

Assentamentos precários e cursos d’àgua: uma proposta de intervenção para o córrego Canhema, em Diadema, SP

Autor: Felipe Garcia de Sousa
Professores orientadores: Angelica Tanus Benatti Alvim e Francisco Lúcio Petracco
Universidade Presbiteriana Mackenzie
São Paulo, SP

O exercício projetual teve como objeto o Núcleo Habitacional Vila Olinda, localizado no município de Diadema, no ABC paulista, onde estão 219 favelas urbanizadas, das quais 60 ocupam margens de cursos d’água canalizados.

O projeto valoriza as águas do córrego Canhema, canalizado há 30 anos como parte de um processo de urbanização do local. O córrego foi entendido como elemento estruturador na construção da paisagem. Foi proposto um parque linear ao longo de 1 km em suas margens – um “eixo verde com equipamentos públicos de fruição, contribuindo para a requalificação urbana e ambiental do assentamento”. Uma praia urbana foi sugerida como oferta de lazer e alternativa de contenção de enchentes.

Para solucionar a remoção de parte da população em trechos do novo parque, previu-se a construção de habitações nos vazios urbanos presentes no bairro, garantindo o direito à cidade e a permanência das famílias removidas na área de entorno do projeto.

Casa do Meio

Autora: Elisa Augusto Barroso
Professora orientadora: Mônica Manso Moreno
Pontifícia Universidade Católica de Campinas
Campinas, SP

A Casa do Meio é um local de acolhimento para pessoas em situação de rua no distrito da Mooca, em São Paulo. Busca resgatar a dignidade das pessoas, aumentar sua autoestima e recuperar seus vínculos com a sociedade.

Além do atendimento às necessidades básicas, estão previstos serviços para assegurar direitos civis fundamentais e dar acesso à rede socioassistencial, assim como a transporte, educação, saúde. A Casa também oferece a prática da arte em prol do engajamento e ação política dos indivíduos.

A estrutura fabril é valorizada no projeto como forma de manter a memória do patrimônio industrial local.

Centro de reintegração e acolhimento para refugiados

Autora: Lariane Barnuevo
Professora orientadora: Jussara Schultz Bauermann
Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP)
Engenheiro Coelho, SP

O projeto é focado na reintegração de refugiados à sociedade, por meio da oferta de apoio, lazer, acolhimento, trabalho e educação.

Foi proposto um local de recepção e hospedagem provisória, assim como salas para assistência médica, psicológica, jurídica e profissional. Também foram consideradas salas de aulas para o ensino do idioma local, ateliês para o desenvolvimento educacional de crianças e espaços para diversão – salas de jogos, cultura, esportes.

Fábrica dos Sonhos

Autora: Juliana Santarelli Monteiro de Castro
Professora orientadora: Andrea Borges de Souza Cruz
UNISUAM – Centro Universitário Augusto Motta
Rio de Janeiro, RJ

O projeto Fábrica de Sonhos é direcionado a pessoas em situação de rua e trará um novo modelo de habitação diferente dos abrigos existentes no Rio de Janeiro. Foi desenvolvido com base no método Housing First, em que é priorizada a moradia. Estão previstas habitações individuais e espaços para lazer, estudos, convívio interpessoal, entre outros.

O conceito de sustentabilidade é aplicado em três pilares: ambiental, com a utilização de materiais recicláveis e de baixo impacto; econômico, com a qualificação profissional, o incentivo à economia circular e a geração de emprego e renda; e social, com redução das desigualdades, ampliação do ensino de qualidade e inclusão.

Serão oferecidos cursos de marcenaria, design, corte e costura. A ideia é que os moradores possam construir suas casas e produzir mobiliário e decoração e estejam habilitados a trabalhar nesses ofícios.

Luta e remoção: proposta residencial multiclasses

Autores: Eduarda Barbosa Sengés e Diego Wilson da Luz Bernardo
Professor orientador: Carlos Eduardo Nunes-Ferreira
Universidade Veiga de Almeida
Rio de Janeiro, RJ

Quando foi implantado, em 2012, o Parque Madureira, importante equipamento urbano da zona norte do Rio de Janeiro, houve a remoção de uma ocupação popular conhecida como Comunidade Vila das Torres. Algumas famílias remanescentes do desalojamento estão ameaçadas pelo projeto de uma via expressa no local. O projeto visa abrigar estas famílias – e outras despejadas – em um terreno em frente ao Parque, por meio de um conjunto que reúna unidades de HIS (Habitação de Interesse Social) e apartamentos negociados em valores de mercado.

O projeto prevê o fortalecimento da atividade agrícola e comercial no local e uma área interna com muito verde.

Sinapses urbanas

Autor: Vinícius Carlos de Medeiros
Professora orientadora: Ana Slade Carlos
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Rio de Janeiro, RJ

Em São Gonçalo, município da região metropolitana do Rio de Janeiro, o Jardim Catarina é um bairro com tecido urbano residencial consolidado e, pelo seu grande número de residências, é considerado o maior loteamento da América Latina. Composto por quadras ortogonais e lotes de uso unifamiliar, possui baixa oferta de espaços livres. O projeto propõe uma transformação sociocultural e urbana no bairro, com oferta de educação, cultura e geração de renda, além de reforço na identidade local.

Foram idealizados seis equipamentos, abrangendo cinco sub-bairros: teatro, mercado, biblioteca, casa de ideias, praça e casa de produção. Um sistema de gestão comunitária é proposto para o conjunto dos equipamentos.

“Pensado para ir além da academia”, o projeto foi concebido com a participação da comunidade, por meio de reuniões e entrevistas com moradores e lideranças locais.



Para saber mais sobre esta terceira edição da mostra Novos Olhares, acesse o site da ABEA em: https://www.abea.org.br/?p=2589


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