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Inclusão na arquitetura e por meio dela

09/09/2020
Gabriela de Matos (com o microfone) em evento da revista Casa Vogue

“A arquitetura é branca, elitista e machista”. Quem pontua, de forma enfática, é a arquiteta mineira Gabriela de Matos, que, há dois anos, criou o projeto Arquitetas Negras com o intuito de identificar, catalogar, divulgar e potencializar o trabalho de mulheres negras na arquitetura. Formada pela PUC de Belo Horizonte e pós-graduada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Gabriela iniciou um mapeamento, por meio de redes sociais, convocando arquitetas e designers negras a se apresentarem e contarem um pouco de sua realidade e seu trabalho. Em uma semana já tinha mais de 300 participantes. Depois, com um financiamento coletivo que somou mais de R$ 98 mil, produziu a revista Arquitetas Negras, com versões impressa e digital – “um manifesto, para mostrar como é ser arquiteta negra no Brasil”, explicou à época do lançamento da publicação, no ano passado.

A logomarca do Arquitetas Negras
A capa da revista Arquitetas Negras

Segundo Gabriela, o mapeamento revelou que grande parte das arquitetas negras atuam na área, mas não nos grandes escritórios, e não costumam aparecer nas revistas ou em mostras. Os dados também indicaram a importância das políticas de inclusão – como as cotas raciais e o ProUni (Programa Universidade para Todos): a maioria das arquitetas negras que participaram do mapeamento não tem mais de 10 anos de formadas.

A arquiteta, que está confirmada como palestrante no UIA2021RIO, destaca que as questões raciais e de gênero estão intrinsecamente relacionadas à formação das cidades: “a população negra – sobretudo as mulheres – é a que mais sofre pelo mau planejamento urbano”, diz.

Desde que se formou, Gabriela já trabalhou para as prefeituras dos municípios mineiros de Contagem e Governador Valadares. E, em 2014, fundou o escritório Brandão de Matos, em Belo Horizonte. Este ano, ela assumiu a vice-presidência do Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento de São Paulo (IAB-SP) e tem incentivado o debate não somente em torno da visibilidade das mulheres negras na arquitetura como também do papel da arquitetura na promoção da inclusão e da equidade.

Zulu Araújo

Movimento negro, arquitetura e cultura

“Quando iniciei meus estudos na Universidade Federal da Bahia, no início dos anos 1970, de um total de 120 aprovados no ano para o curso de arquitetura, só havia eu e mais outro negro. Em toda a faculdade, considerando os outros períodos, éramos apenas quatro estudantes negros”. Zulu Araújo formou-se arquiteto e Mestre em Cultura e Sociedade. Ele é outro palestrante confirmado do UIA2021RIO.

Militante do Movimento Negro desde a juventude, sempre atuou na área cultural. Logo que se formou, assumiu a Diretoria de Cultura do Instituto dos Arquitetos do Brasil na Bahia. Depois, dirigiu o Departamento de Intercâmbio e Ações Regionalizadas da Secretaria Estadual de Cultura da Bahia.

Por dez anos foi diretor do grupo Olodum, organização cultural fundada em 1979, em Salvador, e que, para Zulu, tem um papel importantíssimo “não só no Carnaval da Bahia, mas na história da comunidade negra e na luta pela igualdade”. “É o maior e melhor acontecimento da cultura negro afro-brasileira nos últimos 40 anos”, defende.

O arquiteto também teve destacável passagem pela Fundação Palmares/MinC, criada para promover a preservação dos valores culturais, sociais e econômicos decorrentes da influência negra na formação da sociedade brasileira. Zulu foi diretor de Promoção, Intercâmbio e Divulgação de Cultura Afro-brasileira (de 2003 a 2007) e presidiu a Fundação (de 2007 a 2011).

O Olodum, organização cultural por dez anos sob a direção do arquiteto Zulu Araújo

Desde 2015, Zulu é Diretor-geral da Fundação Pedro Calmon, órgão de estímulo à leitura, livros, memória e arquivo, vinculado à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. Com veemência ele destaca a importância das ações afirmativas e políticas de promoção da igualdade racial: “em relação ao acesso ao ensino público superior, a política de cotas e o ProUni foram responsáveis pelo ingresso de mais de 300 mil negros nas universidades em cinco anos. Antes dessas políticas, em quase dois séculos, desde 1808 – quando foi fundada a primeira instituição de ensino superior no Brasil, a Escola de Cirurgia da Bahia – não tivemos nem a metade desse número de estudantes negros”.

Zulu representou o Ministério da Cultura na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), de 2004 a 2011; foi diretor da Casa da Cultura da América Latina/UNB, entre 2011 e 2012 e coordenou o Festival Latino-americano e Africano de Arte e Cultura (FLAAC), em 2012.



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