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Uma mostra da criatividade e do talento dos futuros arquitetos brasileiros

26/08/2020

Bens abandonados ou arruinados, casas senhoriais, fábricas, estações férreas, clubes, igrejas, conventos, chácaras, conjuntos e centros históricos. Foram revitalizados, restaurados, ganharam novos usos, em projetos de jovens estudantes – futuros arquitetos e urbanistas – que participaram da primeira edição – com o tema Patrimônio Histórico – da mostra Novos Olhares, promovida pela Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo (ABEA), como parte do calendário da Rio Capital Mundial da Arquitetura e do UIA2021RIO.

Até julho de 2021, a cada mês, a ABEA abrirá inscrições de projetos de arquitetura e urbanismo criados por estudantes brasileiros com referência a um tema específico. Os trabalhos são avaliados por uma comissão que seleciona os mais representativos para compor a mostra. Em agosto, na primeira edição, foram escolhidos nove projetos de um total de 30 inscritos.

A ABEA esclarece que não se trata de um concurso e não haverá premiação. A iniciativa tem por objetivo difundir a produção acadêmica na área da arquitetura. “Há uma produção muito grande nas universidades que fica intramuros. A ideia é mostrar que a universidade pode contribuir com a sociedade”, explica o vice-presidente da Associação, Carlos Eduardo Nunes-Ferreira, que integra a comissão organizadora da mostra, junto a Wanda Vilhena e Luciano Falcão, diretores da ABEA.

Os temas para os próximos meses serão:

  • Setembro: arquitetura para todos e cidade inclusiva (acessibilidade, idade, gênero).
  • Outubro: arquitetura social e a agenda da ONU Habitat (na primeira segunda-feira do mês é comemorado o Dia Mundial da Arquitetura).
  • Novembro: espaços públicos (8 de novembro é o Dia Mundial do Urbanismo).
  • Dezembro: arquitetura, cidade e crianças.
  • Janeiro: o futuro das cidades.
  • Fevereiro: arquitetura e turismo.

Em seguida, a mostra abordará o tema principal e os quatro eixos temáticos do 27º Congresso Mundial de Arquitetos:

  • Março: UIA2021RIO – Todos os mundos. Um só mundo.
  • Abril: UIA2021RIO – Diversidade e mistura.
  • Maio: UIA2021RIO – Mudanças e emergências.
  • Junho: UIA2021RIO – Fragilidades e desigualdades.
  • Julho: UIA2021RIO – Transitoriedades e Fluxos.

Novo olhar para o Patrimônio histórico

Sobre a primeira edição, Carlos Eduardo destacou: “pela qualidade dos trabalhos apresentados, a mostra Novos Olhares revelou que a visão dos estudantes sobre o patrimônio tem se ampliado – de projetos de restauração a campanhas de conscientização da população sobre a identidade cultural”.

Para o vice-presidente da ABEA, “há uma relação contraditória de proximidade e distanciamento entre o Patrimônio e o Ensino de Arquitetura e Urbanismo no Brasil”. Ele explica que, por um lado, existe um “encantamento” e uma consciência da importância do tema por parte de alunos e professores: “os trabalhos finais de graduação com esta temática têm crescido em quantidade e qualidade nos últimos anos”. Entretanto, em sua opinião, ainda é pequena a carga horária dedicada à matéria nas matrizes curriculares e há “uma fragmentação equivocada entre a teoria, o projeto e as técnicas retrospectivas, além de uma estrutura insuficiente de laboratórios específicos”.

A comissão de avaliação considerou surpreendente a diversidade dos trabalhos apresentados – “quer no âmbito das temáticas, quer no das matérias trabalhadas”, destacou a arquiteta e urbanista Ester Judite Bendjouya Gutierrez, uma das integrantes da comissão. “As propostas desenvolvem: projetos arquitetônicos, paisagísticos, urbanos e rurais; planejamento regional, teoria e história, materiais e técnicas, patologias, conforto, ecologia, práticas de ensino e aprendizagem de arquitetura e urbanismo, educação patrimonial, inclusive, para os com necessidades especiais”, comentou.

Também da comissão de avaliação, a arquiteta e paisagista Ana Maria Reis de Goes Monteiro, presidente da ABEA, acrescenta que a diversidade dos trabalhos recebidos abrange “as diferentes formas de abordar e reinterpretar o patrimônio histórico, cobrindo desde o ensino, até a pesquisa e a extensão”.

A comissão nota ainda que os trabalhos apontam o patrimônio cultural de nativos, africanos, europeus e de seus respectivos descendentes. “Um dos trabalhos destaca a presença dos candangos na construção de Brasília, patrimônio mundial da humanidade”, comenta o arquiteto Fábio Mariz Gonçalves, também entre os avaliadores.

Trabalhos selecionados na 1ª edição – Patrimônio Histórico:

Poética da Ruína: Intervenção na Igreja de São Pedro

Autora: Mariana Castro Silva
Profª Orientadora: Fabiola do Valle Zonno
Universidade Federal do Rio de Janeiro (RJ)

No bairro do Encantado, subúrbio carioca, a Igreja de São Pedro encontra-se sem uso e sem conservação. O projeto de intervenção visa preservá-la como parte da memória coletiva e considera a gestão por agentes culturais comunitários. Reconhecendo o lugar como ruína, a intervenção busca valorizar sua antiguidade e harmonizar o antigo e o novo. O anexo respeita a altura do corpo da igreja, mantendo o destaque da torre como marco da paisagem; a transição entre os ambientes – e suas respectivas épocas – se dá por meio de zona aberta e leve. Reabilitada como teatro, a ruína é ressignificada como espaço de comunhão e para usos públicos: cursos livres, biblioteca/midiateca Cruz e Souza (em homenagem ao poeta que viveu no bairro), além de exposições e apropriações artísticas, para reforçar o amplo patrimônio cultural do bairro.

Locomotiva Cultural: Ressignificando o antigo Engenho Roesch

Autor: Matheus Luiz Rosa
Prof. Orientador: Fábio Müller
Universidade Federal de Santa Maria (RS)

O Engenho Roesch, no centro da cidade de Cachoeira do Sul, no Rio Grande do Sul, foi um dos principais engenhos de arroz do estado até a década de 1970. O projeto visa resgatar a antiga estrutura industrial, atualmente em desuso, e seu entorno imediato, dando lugar a um complexo cultural e gastronômico. “Tendo em vista que o antigo uso de tais estruturas está fortemente ligado ao processo de formação histórico-econômica do município, a ideia de ressignificar tais estruturas no atual contexto da cidade visa, além de proporcionar novas alternativas de lazer e cultura, fomentar o senso de pertencimento e a valorização da bagagem histórica municipal por parte da população, buscando tornar rica a experiência do ser enquanto agente social.”

O projeto pode ser apreciado em vídeo no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=OPp5E2Kt9uo

Oásis Urbano: um laboratório verde para a cidade

Autor: Sulâni Kurtz
Prof. Orientador: Marcos Antonio Leite Frandoloso
Universidade de Passo Fundo (RS)


Transformar uma antiga área industrial – de relevância histórica e com marcos visuais urbanos – hoje abandonada e degradada em um espaço público, com ênfase na biodiversidade e na qualidade ambiental, é a proposta. Desta vez, a cidade é Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. Um grande silo, que armazenava grãos, passa a abrigar um Museu de Ciências. Outras edificações, distribuídas pelo novo parque público, dão apoio às atividades que acontecem no museu. “O Oásis Urbano é um laboratório para a cidade, que subverte o industrial em natural. Tanto a área como o patrimônio construído são regenerados, reciclados e reativados por meio de programas que aliam a sustentabilidade à vivência comunitária”.

O projeto pode ser apreciado em vídeo no link https://www.behance.net/sulani_kurtz

Ruínas do Convento de São Boaventura - Implantação do Centro de Interpretação da Vila de Santo Antônio de Sá

Autora: Ana Carolina de Lemos
Profs. Orientadores: Romulo Guina e Jorge Astorga
Universidade Estácio de Sá (RJ)

O município de Itaboraí, no Rio de Janeiro, abriga ruínas do antigo Convento de São Boaventura e resquícios arqueológicos ainda não desvendados do que foi a primeira vila do recôncavo da Guanabara. O Centro de Interpretação proposto tem como finalidade viabilizar a visitação deste patrimônio, fazendo com que a população tome conhecimento da própria história. “A intervenção se afasta do objeto preexistente e sutilmente envolve a topografia em cota inferior ao Patrimônio, com a intenção de existir silenciosamente neste lugar”.

Mais informações sobre o projeto estão disponíveis nos links:
Antes e Depois: https://youtu.be/2VuAHCrHDKs
Sobrevoo: https://youtu.be/1djqhLfA9JM
Pranchas do Painel - TFG em JPG: https://drive.google.com/drive/folders/1-Gcd-Xa8TfOkrgrWrXr0daqtOcB4GMCy?usp=sharing
Pranchas do Painel - TFG publicado no ISSUU: https://issuu.com/carollemos.arq/docs/painel_tfg_-_ru_nas_do_convento_de_s_o_boaventura
Book Fundamentos de TFG: https://issuu.com/carollemos.arq/docs/tfg_-_ru_nas_do_convento_de_s_o_boaventura_-_inter

Museu Nacional: Uma proposta espacial

Autor: Tomás Quadros
Profa Orientadora: Marina Correia
Universidade Federal do Rio de Janeiro (RJ)

Corte Longitudinal no Pátio Central
Corte Longitudinal do Palácio
Planta Baixa da Extensão do Subsolo

“A construção do espaço museológico é também a construção da identidade de um povo”, destaca o texto do projeto de intervenção no Museu Nacional, a mais antiga instituição científica do Brasil que, até setembro de 2018, quando foi destruído por um incêndio, figurou como um dos maiores museus de história natural e de antropologia das Américas. O projeto propõe destacar o protagonismo científico do museu, manter espacialmente coesas as atividades da instituição, preservar a perspectiva histórica da Quinta da Boa Vista e evidenciar o incêndio. “A intervenção pode ser resumida por uma ambiciosa extensão da área edificada com a exploração do platô sobre o qual repousa o palácio e pela reconstituição parcial das áreas internas. A nova extensão terá por funções primárias regular o acesso dos diversos agentes e estabelecer áreas dedicadas à atividade de pesquisa, acervo e educação, liberando o palácio para exposição e visitação”.

Maquete

Autores: Caroline Peraça e Gabriel Delpino; Émerson Junior e Bernardo Fagundes; Matheus Geisler.
Profs. Orientadores: Marcelo David Pereira e Fernanda Barasuol
Centro Universitário da Região da Campanha - URCAMP (RS)

A proposta da disciplina de Maquete, do curso de Arquitetura e Urbanismo da URCAMP, em Bagé, no Rio Grande do Sul, consiste no desenvolvimento da maquete física de um exemplar de edificação de valor arquitetônico da cidade. A atividade engloba a pesquisa sobre o local e o levantamento físico e/ou fotográfico da edificação escolhida. Proporciona aos estudantes a aproximação com a história da cidade, o reconhecimento dos elementos arquitetônicos e o adestramento manual, além das noções de escala e espírito de equipe. “Este trabalho nos fez olhar para a arquitetura preexistente com olhos mais gentis, observando os detalhes únicos de cada exemplar das mais variadas épocas que contam a história da nossa cidade. Poder representá-los em maquete é a forma de apresentar a beleza de nossas obras arquitetônicas não só para os moradores de Bagé mas para todos”, escreve Caroline Farias Peraça no projeto.

Revitalização do Palacete do Conde Itamaraty

Autora: Ana Carolina Soartes Galheigo
Profa Orientadora: Taisa Carvalho
Universidade Veiga de Almeida (RJ)

O trabalho se propõe a revitalizar o Palacete do Conde Itamaraty, no bairro do Alto da Boa Vista, Rio de Janeiro, para a criação de um Centro Comunitário. Construído em 1854, em estilo neoclássico, o palácio foi residência de veraneio de uma família de comerciantes e teve D. Pedro II entre seus frequentadores. Atualmente encontra-se em abandono, sofrendo desgastes que comprometem sua integridade física e apagam sua história. A proposta é que venha a atender às comunidades do entorno e fazer com as pessoas, apropriando-se do espaço, tornem-se agentes de sua proteção. Nos fundos do terreno, integrado ao Palacete, foi projetado um edifício contemporâneo.

Cervejaria passarela

Autoras: Bruna Letícia Fürh, Carine Saraiva Astolfi e Juliana Costa
Profs. responsáveis: Luciane Scotta, Marcos Antonio Leite Frandoloso, Mirian Carasek, Rodrigo Carlos Fritsch
Universidade de Passo Fundo (RS)

Em 1914, o município de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, ganhou seu primeiro estabelecimento cervejeiro de expressão regional, batizado dois anos depois, como Cervejaria Serrana. Lá era produzida a cerveja Gaúcha, considerada uma das melhores da Serra Gaúcha. O empreendimento mudou de donos e de marcas, mas permaneceu como uma cervejaria até 1997. Em 2001, o conjunto de prédios passou a abrigar uma faculdade. O projeto da Cervejaria Passarela busca contar parte da história da cidade, rememorar a antiga planta industrial e retomar o uso original do espaço. Uma passarela interliga as diversas partes do complexo, num percurso com ambientes internos e externos. Algumas etapas de produção ficam expostas, conectando espaços públicos e privados.

Modela Pelotas

Autoras: Ramile da Silva Leandro e Samanta Quevedo da Silva
Professoras responsáveis: Janice Pires e Adriane Borda
Universidade Federal de Pelotas

Todo o patrimônio arquitetônico da cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, acessível em miniaturas. O projeto Modela Pelotas constrói um acervo de modelos digitais referentes a construções históricas e seus entornos. As maquetes táteis ganham descrição audiovisual para permitir a apreciação do patrimônio por deficientes visuais. “O projeto tem contribuído para a preservação da identidade cultural da cidade, com o despertar de memórias, fatos históricos, dados técnicos e outros que compõem a biografia das edificações. Além de ser relevante na esfera da inclusão”.


Reportagens em vídeo sobre o projeto estão disponíveis nos links:
https://www.youtube.com/watch?v=VZvD6elyEdc
https://www.youtube.com/watch?v=3vvT5jhiV64

Para conhecer todos os trabalhos da Mostra Novos Olhares, acesse: http://url.abea.org.br/novosolhares202008



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