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Copenhague – as boas práticas e os desafios da cidade sustentável

18/08/2020

As bicicletas fazem parte dos cartões postais de Copenhague e muito já se falou sobre elas como os primeiros investimentos feitos pelos dinamarqueses rumo à sustentabilidade. Atualmente, as ciclovias da capital somam cerca de 400 km e ligam o centro às áreas periféricas. De acordo com o último relatório The Bicyle Account, divulgado no ano passado, a participação da bicicleta nos modais de deslocamento cotidiano representava, em 2018, 49%, contra 6% para as caminhadas, 18% para o transporte público e 27% para os carros. Os ciclistas podem circular a 20 km/hora, sem interrupções, por conta da Onda Verde, sistema que sincroniza os semáforos nas faixas para bicicletas.

Mas as medidas para manter Copenhague – a Capital Verde europeia em 2014 – no topo do ranking de sustentabilidade vão bem além das ciclovias: a meta é que a cidade se torne neutra em carbono até 2025. Para isso, 98% das residências contarão com uma rede de calefação alimentada com energia eólica e biomassa. Além disso, a água será reutilizada e os resíduos sólidos reciclados ou incinerados.

Resiliência às mudanças climáticas

Um dos grandes desafios enfrentados em Copenhague é intensidade das chuvas. No verão de 2011, uma só tempestade causou mais de US $ 1 bilhão em danos, de acordo com a Administração Técnica e Ambiental da cidade. Para evitar as inundações e o colapso no sistema de esgoto, toda a sociedade foi mobilizada – principalmente arquitetos. Já no ano seguinte foi lançado um plano de reestruturação urbanística para combater os efeitos das mudanças climáticas a partir e soluções ecoeficientes.

O distrito de San Kjeld foi o escolhido pelos arquitetos do escritório local Tredje Natur para um projeto que propunha a substituição do asfalto por tapetes de grama e calçadas mais elevadas que permitissem a captura e o escoamento da água da chuva.

Østerbro é outro bairro projetado para suportar tempestades e ser o exemplo de adaptação climática da cidade. Resultou do diálogo com cidadãos e de amplo engajamento público: cerca de 170 projetos com ideias e soluções foram apresentados em 2013 e debatidos entre mais de 10 mil pessoas, e resultaram no que hoje é o Østerbro Climate Quarter, considerado o primeiro distrito resiliente ao clima do mundo.

A proposta inicial foi de que 20% do bairro fosse ocupado por áreas verdes e 30% da água da chuva fosse reutilizada e não dirigida ao esgoto. Assim surgiram ruas verdes, jardins, playgrounds e os chamados pocket parks, pequenos espaços públicos – às vezes, esquinas – transformados em áreas verdes de descanso.

Atual Arquiteta de Copenhague, Camilla Van Deurs conta que há sete novos parques urbanos em construção na cidade, voltados à recreação infantil e com muito verde. Ela lembra que foi em razão de uma pandemia – de cólera – que, em 1853, foi criado o primeiro playground para crianças em Copenhagen. “Hoje já existem mais de 130 playgrounds públicos abertos, sendo mantida, assim, uma tradição”.

Com a despoluição dos rios e galerias pluviais, foi possível também transformar o canal Københavns Havnebade em mais uma área de lazer e diversão na cidade, inclusive com uma piscina pública.

Usina eólica Middelgrunden
Copenhill
Østerbro Climate Quarter

Telhados verdes, usina de biomassa e eólicas offshore

Além da drenagem no chão, a água da chuva também é absorvida pelos telhados verdes, que se tornaram obrigatórios nos novos edifícios. Eles ajudam a reduzir a temperatura interna e chegam a absorver até 80% das águas pluviais.

E um dos mais fascinantes destes tetos verdes é o que cobre a usina Copenhill, que transforma resíduos em energia. Trata-se de uma superfície inclinada de 10.000 m² que se tornou uma área para uso urbano e prática de esportes, inclusive esqui. Inaugurada em 2019, Copenhill é responsável pela eletricidade de 150 mil moradias.

O skyline de Copenhague também é marcado pelas pás dos moinhos de vento. As usinas eólicas supriram no ano passado quase a metade do consumo de eletricidade da Dinamarca. Grande parte desse marco deveu-se às eólicas offshore. O país pretende reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 70% nesta próxima década e planeja que toda a eletricidade seja proveniente de fontes renováveis.

Marcos da sustentabilidade em Copenhague:

  • 2004 - Plano Ambiental e de Transportes
  • 2009 - Plano de Mudanças Climáticas e Plano de Gestão de Resíduos
  • 2011 - “Espaço para a Natureza – Uma Estratégia para a Biodiversidade”, plano de criação e revitalização de áreas verdes.
  • 2012 - 7º lugar no Mother Nature Network
  • 2014 - Prêmio de Capital Verde da Europa

Veja o depoimento da arquiteta de Copenhague, Camilla Van Deurs, para o UIA2021RIO no canal: https://www.youtube.com/watch?v=KHK2pkCvFe0



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