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Paulo Mendes da Rocha – um pouco de filosofia para comentar a atualidade

02/07/2020

Há quem considere que Paulo Mendes da Rocha não responde a questões objetivas. Aos 91 anos, o arquiteto – um dos mais renomados do Brasil e membro do Comitê de Honra do UIA2021RIO – dá-se ao luxo de não responder objetivamente quaisquer questões. Com autoridade, recorre à história e até à filosofia para elaborar seus pensamentos, vaguear por abstrações diversas e instigar reflexões das mais profundas. Foi assim em sua participação no ciclo “Conversas na Crise – Depois do Futuro”, promovido pelo Instituto de Estudos Avançados (IdEA) da Unicamp em parceria com o portal UOL.

Entrevistado por um grupo de jornalistas – Paulo Markun, Julio Moreno (do CAU/BR), Liv Brandão – e pelo presidente do Conselho Científico do IdEA, Carlos Vogt, Paulo Mendes da Rocha desfiou novelos e, em vez de afirmações “irresponsáveis”, preferiu lançar prognoses, resgatar memórias e cair em devaneios surpreendentes.

Para começar, reafirmou sua ideia de que a arquitetura é um conhecimento peculiar ao ser humano: “todos nós, humanos, habitantes deste planeta, nascemos arquitetos. O homem, por sua condição de existir, é um arquiteto”, disse, explicando, em seguida, que, na antiguidade, o homem adquiriu a “consciência de que precisava estar junto para se proteger, pois isolado não seria possível, e essa é a origem da cidade contemporânea”.

Partindo dessa perspectiva, Paulo Mendes disse que os arquitetos estão sendo convocados a repensar a forma de ocupação da cidade assim como todos os habitantes. Em resposta à pergunta enviada pelo presidente do Comitê Executivo do 27o Congresso Mundial de Arquitetos, Sérgio Magalhães, sobre a possibilidade de a pandemia do Covid-19 vir a induzir uma reforma urbana, Paulo Mendes da Rocha foi incisivo: “nenhum desastre é a condição para a reforma urbana. Esta é uma questão de inteligência e não de uma emergência virulenta. Não há de ser um vírus a despertar a inteligência”.

Ainda em referência ao tema da pandemia, Liv Brandão perguntou a opinião do arquiteto sobre possíveis mudanças na relação das pessoas com as suas casas e Paulo Mendes avançou para uma livre confissão: “a minha ideia de casa não é a do espaço íntimo; eu gosto de imaginar que estamos bem na cidade ainda que desamparados de uma casa particular... Chego a ter não exatamente uma inveja mas um desejo em relação ao habitante da rua; eu gosto tanto da cidade que, se pudesse, preferia morar na rua; é atraente a hipótese da cidade como a casa do homem; tudo o que nós fizemos, o homem, o indivíduo, na história, foi sempre experimentar a cidade, com o objetivo fundamental de conversar; porque o que faltava ao homem isolado nas épocas primitivas era o olhar de um para o outro para saber quem eram; a cidade é o lugar da conversa; ninguém vive na sua casa, todos vivemos na cidade”.

Depois dessa ode, comentando a realidade de grandes metrópoles com periferias pobres, apinhadas de habitações pequenas e insalubres, novamente Paulo Mendes recorre à história, mas, desta vez, a um período mais recente – a descoberta da América: “é um exemplo de ocupação predatória do território. Com essa herança maldita, daquela política colonialista, a cidade é um desastre. E um desastre programado. Podemos estabelecer sobre essa questão uma razão política de combate e luta, podemos combater para que isso não se repita. A ideia do lucro, de fazer a cidade para que ela seja um negócio, para o lucro, é um desastre completo”.

Para assistir a entrevista acesse: https://www.youtube.com/watch?v=Jvu6uW8vFEc



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