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Arquitetura, arte, intervenção urbana

01/06/2020
Um jardim de inverno feito pelo Assemble no Granby Four Streets

Organizado pela Tate Gallery, em Londres, o Prémio Turner, o mais prestigiado da Europa para as artes visuais, causou um rebuliço em 2015 quando foi concedido não especificamente a um artista por uma obra, mas a um coletivo – e a toda uma comunidade – pela transformação de um espaço público. Foi a primeira vez que um coletivo venceu o prêmio. A primeira vez que “não artistas” conquistaram o Turner. E a primeira vez que o trabalho premiado foi uma prática de arquitetura. Quem provocou tudo isso foi o Assemble, formado, em 2010, por 18 arquitetos recém-graduados no King’s College da Universidade de Cambridge. Com o apoio e a contribuição dos moradores, usando materiais reciclados, o grupo revitalizou quatro ruas do Toxteth, subúrbio degradado de Liverpool.

Jane Hall, palestrante do UIA2021RIO, é uma das fundadoras do Assemble. Ela tinha cerca de 20 anos quando, com seus colegas, questionava onde se encontrariam depois de concluído o curso universitário. Criaram, então, o Cineroleum, um cinema em um posto de gasolina desativado. Depois, um centro cultural embaixo de um viaduto. E mais tarde embrenharam-se pelo Granby Four Streets, no Toxteth. “Estávamos cansados de só trabalhar em escritório; queríamos nos aproximar da construção e das pessoas”, contou a arquiteta em entrevista ao portal Entre, em 2016.

Em paralelo ao trabalho com o Assemble, Jane Hall foi vencedora, em 2013, da primeira edição do Lina Bo Bardi Fellowship, programa de bolsas de estudo – sobre o trabalho da arquiteta modernista ítalo-brasileira – concedidas a pesquisadores britânicos. Jane se interessou pela forma como Bo Bardi trabalhava com artistas e designers e influenciou uma geração de coletivos. A arquiteta diz que seu foco está em obras temporárias, que mesclam arte e pesquisa.

O Cineroleum, do Assemble, em um posto de gasolina
O Folly for a Flyover, centro cultural embaixo de um viaduto, também do Assemble

Pedro Varella

Também bastante jovem, Pedro Varella, do Rio de Janeiro, atua na interseção entre a arquitetura e arte contemporânea. Ele é sócio fundador do gru.a – Grupo de Arquitetos, criado em 2013 e já bastante destacado em premiações nacionais e internacionais.

A instalação Cota 10, do gru.a

O trabalho de Varella chama atenção nas ruas do Rio de Janeiro e ganha visibilidade no mundo: em 2015, depois de derrubado o viaduto da Perimetral, num dos mais significativos marcos da revitalização da área portuária do Rio, o artista ergueu, no centro da Praça XV, à mesma altura do viaduto (10 metros), e no local de um de seus pilares de sustentação, uma plataforma para observação pública da nova paisagem. “Onde antes havia uma pesada infraestrutura agora há o vazio, o vento, a fragilidade de uma estrutura efêmera”, diz o texto explicativo da intervenção Cota 10, projeto vencedor do Prêmio de Arquitetura do Instituto Tomie Ohtake AkzoNobel.

Dois anos depois, o artista atravessou a Baía de Guanabara e subverteu o uso e a imagem do Museu de Arte Contemporânea, o MAC, obra icônica de Oscar Niemeyer em Niterói. A intervenção De onde não se vê quando se está teve como propósito dar ao público a chance de estar no cartão postal da cidade e perder de vista sua imagem tão solidificada. Para isso, Varella deu acesso à laje de cobertura do museu, “de onde não se pode mais determinar seus limites nem reconhecer sua forma”. “A arquitetura que habitualmente é (re)conhecida por sua aparência visual, foi subvertida a um suporte para a imaginação”, explica Varella. O projeto ganhou o Prêmio Reynaldo Roels Jr. da Escola de Artes Visuais do Parque Lage e foi levado ao Pavilhão do Brasil na Bienal de Veneza 2018.

Então, Varella mirou seu olhar questionador para outro ícone, desta vez na capital: a Praia de Copacabana – “um grande aterro, que diz muito sobre o urbanismo carioca”, reflete o arquiteto. A instalação A praia e o tempo combinou as propostas de demarcar uma área de trabalho e reposiciona-la, a partir do movimento da matéria – a areia. Durante O Tempo Festival (Festival Internacional de Artes Cênicas do Rio de Janeiro), houve apresentações de dança no local. A intervenção venceu a sexta edição do Prêmio de Arquitetura Instituto Tomie Ohtake AkzoNobel, em 2019, e foi selecionada para a XI Bienal Ibero-americana de Arquitetura e Urbanismo, em Assunção, no Paraguai.

Segundo Varella, seu trabalho e do gru.a situam-se na zona híbrida entre as artes plásticas e a arquitetura.

A laje do MAC, em Niterói
A instalação A praia e o Tempo, em Copacabana

Saiba mais sobre os palestrantes do UIA2021RIO na página https://www.gapcongressos.com.br/eventos/z0140/palestrantes.asp



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