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Desfuncionalização: uma proposta de liberdade

“A arquitetura gera instrumentos de coerção e de restrição da liberdade. Destravar esses nós e fazer da arquitetura um instrumento para ampliar a liberdade e a possibilidade de imaginação é um desafio”. Em entrevista concedida ao canal Studio Casa e gravada na Casa da Arquitectura, em Portugal, Carlos Alberto Maciel, arquiteto mineiro, aborda o conceito de “desfuncionalização” como uma estratégia para permitir aos espaços públicos usos impensáveis.

“Se considerarmos imagináveis todos os usos de um espaço, estaremos restringindo possibilidades”, disse o arquiteto, justificando uma premissa de seus trabalhos em espaços urbanos: não determinar funcionalidades específicas.

Para Carlos Alberto essa “desfuncionalização” também pode ser uma resposta da arquitetura à questão da sustentabilidade, pois, a partir de novas possibilidades de uso, seria ampliada a vida útil dos edifícios: “a grande questão talvez seja a de como fazer com que os edifícios sejam capazes de acomodar a vida absolutamente imprevisível que se terá daqui a cinco, dez ou cinquenta anos”.

Para o entrevistador, o também arquiteto Carlos Machado e Moura, natural do Porto, em Portugal, a ideia de possibilitar diferentes formas de apropriação dos espaços públicos remete ao que o arquiteto italiano Bernardo Secchi chamou de “projeto do solo”, uma intermediação entre a arquitetura e a sociedade. Carlos Machado identificou essa proposta no projeto feito por Carlos Maciel para o entorno da Praça da Liberdade, em Belo Horizonte.

Outros projetos mencionados na entrevista foram os que Carlos Alberto Maciel fez para o Instituto Inhotim, um dos mais importantes acervos de arte contemporânea do Brasil e considerado o maior museu a céu aberto do mundo – as galerias Cosmococa, Miguel Rio Branco e Claudia Andujar.

“Foi um aprendizado: fomos conhecendo o lugar, nos familiarizando com as pessoas que lá trabalhavam e ganhando uma interação muito forte com a curadoria”, conta Maciel, acrescentando que um dos temas que balizou os trabalhos foi a integração harmônica entre a paisagem e os espaços internos expositivos: “os primeiros espaços expositivos construídos lá eram galpões neutros, com salas brancas, e havia, então, uma ruptura muito grande entre a experiência do jardim, ao ar livre, na natureza, e a experiência de um espaço climatizado, branco. Nos interessava, então, introduzir ingredientes nessa transição e também na sequência expositiva, para que houvesse uma reafirmação da presença da paisagem entre cada sequência”, comenta. A galeria da artista Claudia Anjujar, segundo Maciel, é a que melhor exprime essa proposta.

Entorno da Praça da Liberdade, em Belo Horizonte (MG)
Galeria Claudia Andujar, em Inhotim (MG)
Galeria Cosmococas, em Inhotim (MG)
Galeria Miguel Rio Branco, em Inhotim (MG)

A entrevista traz ainda muitas outras considerações relevantes deste grande arquiteto que já confirmou presença como palestrante no UIA2021RIO.

Assista clicando no link abaixo e programe-se para vir ao Rio em julho do próximo ano!
https://www.youtube.com/watch?v=KDm6z_Oum2Y



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