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São Paulo: a metrópole e as intervenções da arquitetura, na concepção de Marta Moreira

27/04/2020
A intervenção feita para o projeto Arte/Cidade em São Paulo

A ferrovia, o rio, a indústria. São Paulo cresceu e se desenvolveu como metrópole a partir de uma lógica de ocupação baseada na combinação desses três elementos. Mas não sob o ponto de vista da qualidade urbana. Com essa explicação, a arquiteta paulistana Marta Moreira, palestrante do UIA2021RIO, inicia uma conversa instigante com a portuguesa Inês Moreira, também arquiteta, com atuação na região do Porto. A entrevista, gravada no ano passado, na Casa da Arquitectura, em Matosinhos, Portugal, acaba de ser disponibilizada pelo canal Studio Casa.

Marta Moreira faz o preâmbulo sobre São Paulo para explicar como ela e outros arquitetos de sua geração passaram a olhar a cidade “não estritamente para a resolução de um problema estrutural ou sob a ótica da economia”, mas pensando em proporcionar aos cidadãos o desfrute do espaço urbano. “Quando nos formamos, em meados da década de 1980, a indústria começava a sair da cidade e deixar disponíveis áreas junto à ferrovia e à várzea do rio Tietê que, então, se tornaram nossos objetos de estudo”, contou a arquiteta.

Duas intervenções urbanas que constam no portfólio do MMBB, escritório em que Marta é fundadora, foram relembradas na entrevista: um terrapleno, feito em 1996, para o projeto Arte/Cidade, numa área entre a Estação da Luz e as ruínas da antiga fábrica Matarazzo; e “Outrem”, feita em 2001, para as comemorações dos 50 anos da Bienal de São Paulo. Nessa, um carro de manutenção ferroviária foi equipado com holofotes que iluminavam e chamavam atenção para o traçado da ferrovia: “espaços que são percorridos por milhares de pessoas, que são tão importantes na mobilidade urbana e que não são percebidos, refletem a cisão da cidade e são mantidos às escuras”.

“Outrem”, intervenção que iluminou o trajeto da ferrovia em São Paulo

Outro projeto mencionado foi o do prédio do Sesc (Serviço Social do Comércio) na rua 24 de Maio, no centro da capital paulista, uma parceria do escritório MMBB com o arquiteto Paulo Mendes da Rocha, membro do Comitê de Honra do UIA2021RIO. “O projeto traz uma permeabilidade, o limite entre o público e o privado se desfaz”, comentou Marta Moreira, falando sobre a passagem livre no térreo do edifício e o sistema de rampas que permite a circulação do público, “sem constrangimento”, como uma continuação da calçada, e que leva a um espelho d’água e uma piscina nos andares superiores.

Questionada sobre a influência que os arquitetos podem exercer na democratização da cidade, promovendo a participação do cidadão, Marta Moreira defende que “a arquitetura pode ser pensada para permitir a manifestação espontânea do público”. E menciona como exemplos o edifício da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP), projeto da década de 1960, assinado pelo arquiteto João Batista Vilanova Artigas, assim como a marquise do Parque do Ibirapuera, de Oscar Niemeyer: “A FAU foi pensada, num contexto de repressão, como um espaço que não pudesse ser fechado. A marquise do Ibirapuera, por sua vez, é uma cobertura de ligação entre os edifícios do parque, mas tornou-se um equipamento de potência gigantesca porque as pessoas ocuparam de todas as maneiras; é um espaço usado intensamente pelo público. Eu acredito que o desenho arquitetônico pode, sim, favorecer o uso democrático dos espaços urbanos”.

O edifício do Sesc 24 de Maio

Assista a entrevista do Canal Studio no link https://youtu.be/cDOV56QjMkU e programe-se para vir ao UIA2021RIO.



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