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MAM: vivo e moderno em 72 anos

03/05/2020
Foto: Riotur

3 de maio de 1948. A data consta na ata da Assembleia Geral para Constituição do Museu de Arte Moderna, o MAM, do Rio de Janeiro. Lavrado em Registro Civil de Pessoas Jurídicas, o documento foi assinado por 19 dos presentes na Assembleia – escritores, diplomatas, colecionadores, banqueiros, ministros, entre eles, Raymundo Ottoni de Castro Maya, então aclamado presidente do museu, Gustavo Capanema, presidente de honra, e Manuel Bandeira, primeiro vice-presidente. Idealizado alguns anos antes, o projeto, naquela ocasião, ganhava materialidade.

Provisoriamente, o MAM ocuparia salas do antigo Banco Boavista, no alto de um prédio projetado por Oscar Niemeyer, na Candelária, Centro do Rio. Lá foi realizada a primeira exposição aberta ao público, em 1949. Depois, em 1952, o museu foi transferido para o térreo do então Ministério da Educação e Saúde, atual Palácio Capanema, também no Centro do Rio. Outra base e o início de uma nova era: já naquele ano, começava a ser arquitetado o que viria a se tornar uma obra de referência do modernismo no país e no mundo: o prédio de Affonso Eduardo Reidy, em meio aos jardins de Burle Marx, no Aterro do Flamengo – a sede definitiva do Museu de Arte Moderna.

O MAM assumia uma identidade mais arrojada. Sob a direção da jornalista e empresária Niomar Moniz Sodré, lançava-se ao público de forma mais incisiva. As atividades intensificaram-se – entre 1952 e 1957 foram realizadas mais de oito exposições por ano, visitadas por cerca de 200 mil pessoas – e a comunicação mais ainda. O museu virou notícia – sobretudo nas páginas do Correio da Manhã, de propriedade da sua diretora-executiva.

“O museu não se tornava apenas um órgão de educação e transmissão de arte moderna para aqueles que o procuravam ou que, indo ao centro da cidade ou passando pela Avenida Beira Mar, se deparavam com a visão de formas arquitetônicas modernas que os tomavam no instante da contemplação. Ao contrário, o MAM, em múltiplos sentidos, passava a procurar seu público”, analisa a socióloga Sabrina Marques Parracho Sant´Anna, na tese de doutorado Construindo a memória do futuro.

Segundo ela, além de promover à sociedade brasileira o contato com a arte moderna do mundo, havia a intenção de mostrar o Brasil também como um produtor de modernidade. Nesse sentido, eram organizadas exposições itinerantes para percorrer o mundo exibindo a moderna arte brasileira.

O conceito de museu passava por profunda revisão: ganhava novo significado social ao tornar acessível ao público o conhecimento das manifestações e criações artísticas. E isso estaria refletido na arquitetura.

Em 1958, foi inaugurado pelo presidente Juscelino Kubitschek o Bloco-Escola, a primeira parte da nova sede, onde foram realizadas quase todas as atividades do museu até 1967, quando ficou pronto o Bloco de Exposições. O MAM, então, ganhava a sua maior obra: “apesar de o museu ter se constituído anteriormente à sua sede própria, seu projeto arquitetônico, concebido por Affonso Eduardo Reidy, é sua mais marcante visualidade”, defende Elizabeth Catoia Varela, curadora de Pesquisa e Documentação do MAM, no livro O desafio Modernista, a construção de um ícone.

Com um vão livre e um monumental conjunto de colunas enfileiradas, o prédio do MAM dialoga com a paisagem ao redor é um convite à interação do público. “É um exemplo fortíssimo da relação entre arquitetura e natureza devido à presença dos jardins projetados por Burle Marx e a arquitetura de concreto”, comenta a arquiteta carioca Elizabeth de Portzamparc. Ela destaca que “a estrutura suspensa por pórticos permite espaços internos adequados para museus com plantas livres, completamente flexíveis, que acolhem todo tipo de exposição” e que também a imensa área pública sob o Museu permite todo tipo de eventos organizados ou improvisados. “Esta característica, idealizada pela escola paulista, é pioneira no mundo e está começando a ser muito utilizada mundo afora mais de 50 anos depois”.

Fotos: Riotur

Favorecido e evidenciado pela arquitetura, o conceito de um museu aberto, dinâmico e moderno se consolida. Como um laboratório de experiências culturais, o MAM se torna palco de acontecimentos de grande relevância na arte brasileira.

Em 1978, trágico incêndio destrói 90% de seu acervo e, com mobilização imediata da sociedade, o MAM é reconstruído e ganham maior atenção as questões referentes à preservação e à valorização da memória cultural.

Desde então, o Museu se mantém vivo, investindo em uma programação capaz de formar público e incentivar novas produções. Além das artes plásticas – um dos mais importantes acervos de arte moderna e contemporânea da América Latina – o MAM carioca promove música, teatro e cinema.

Diretor do Museu desde janeiro, o Fabio Szwarcwald pretende ainda resgatar o papel do MAM na formação de artistas. “Esse era o projeto do Reidy — museu e escola funcionando juntos”, diz, relembrando o Bloco Escola.

“O Museu de Arte Moderna tem três grandes dimensões: é um dos mais expressivos exemplares da arquitetura moderna brasileira, reconhecida em todo o mundo, obra do arquiteto Affonso Eduardo Reidy; é um lugar público de excelência, articulado por seu extraordinário pilotis, inserido em magnífico jardim de Burle Marx; e é uma casa de cultura de concepção original ampla, que engloba as artes plásticas, o cinema, o design e a arquitetura – e em todos os setores fez história.
Depositário do monumental acervo de Gilberto Chateaubriand, além de próprio acervo de alto valor, o MAM assume, sob nova direção, uma perspectiva de recuperação de seu histórico papel de vanguarda nas artes brasileiras e de inserção na sociedade do Rio de Janeiro”.

Sérgio Magalhães
Arquiteto, presidente do Comitê Executivo do UIA2021RIO.
“São 72 anos de MAM Rio, comemorados em plena crise política, econômica, de saúde e humanitária global, quando a sociedade tem que se firmar em seus valores culturais e espirituais. O museu, por meio de sua vanguarda modernista, tanto arquitetônica quanto de seu acervo artístico, trouxe uma nova luz ao nosso país a partir dos anos 1950. Acredito que, também agora, poderá ser um dos faróis de uma vanguarda em que a inclusão e a transversalidade de pensamentos e plataformas nos guie a um futuro que merecemos.”
Oskar Metsavaht
Artista e membro do Comitê de Honra do UIA2021RIO
“O Museu de Arte Moderna nos apresenta a mais perfeita simbiose entre arquitetura e artes plásticas, e entre paisagem urbana e natural. Desde a sua fundação, se constitui como marco representativo dos movimentos de vanguarda do Rio de Janeiro e patrimônio nacional."
Luiz Fernando Janot
Arquiteto e Urbanista, membro do Comitê Executivo do UIA2021RIO
“É um exemplo fortíssimo da relação entre arquitetura e natureza devido à presença dos jardins projetados por Burle Marx e essa arquitetura de concreto. Além disso, o sistema de estrutura suspensa por pórticos é maravilhoso. Uma imensa área pública sob o Museu permite todo tipo de eventos. Esta característica é pioneira no mundo e está começando a ser muito utilizada mundo afora mais de 50 anos depois”.
Elizabeth de Portzamparc
Arquiteta e keynote speaker no UIA2021RIO


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