POR

Cidades devem ser saudáveis e promover a integração

31/03/2020

Integrantee do Public Health Group (PHG) da UIA e arquiteto do Departamento de Projetos e Obras (DPO/DIRAC) da Fundação Oswaldo Cruz, Jerônimo de Moraes coordenará o Seminário de Saúde Urbana do UIA2021RIO. Com larga experiência em assessoria técnica e assentamentos informais, ele explica que “a cidade é o local do encontro e da interação entre seus milhões de habitantes” e, para isso, deve ter condições básicas de salubridade em suas habitações e no espaço urbano, promovidas por políticas públicas.

Podemos dizer que o crescimento desordenado da cidade é o grande indutor de epidemias? Por quê?

Neste caso do coronavírus não foi o que aconteceu. Cidades como Milão e Nova Iorque são hoje focos da pandemia, e não se pode dizer que sejam cidades com o crescimento desordenado. O mesmo em relação às cidades chinesas. Creio que o grande indutor desta pandemia é a globalização, o comércio internacional, o turismo etc. O vírus chegou no Brasil de avião, trazido pela classe média alta, que vive em bairros ordenados, tanto no Rio como em São Paulo. Este foi um fato novo, uma realidade diferente do que conhecíamos.

Mas é claro que as cidades são campos de transmissão e contaminação. Desde os tempos mais antigos, vivemos vulneráveis às epidemias urbanas, como foi a gripe espanhola ou a peste negra na Idade Média, e determinadas características morfológicas podem agravar mais, neste caso o grande número de favelas – como temos no Rio de Janeiro – é motivo de preocupação para todos que pensam a cidade e a saúde.

A densidade populacional sempre tem efeito na propagação de vírus e nas taxas de mortalidade em epidemias ou há casos em que não é um fator determinante?

Sim. Não há dúvida de que a densidade populacional pode trazer uma alta nos índices de contágio e consequentemente de óbitos. Mas é preciso ter maior atenção para a densidade da habitação, ou seja uma casa pequena com apenas um quarto onde habitam seis ou oito pessoas, como ocorre em nossas favelas, é muito pior do que um apartamento de 120 metros quadrados com três quartos onde muitas vezes vivem apenas uma ou duas pessoas, o que é comum em Copacabana e Ipanema, por exemplo.

Como equacionar o paradoxo entre o papel da cidade na interação das pessoas e eventuais necessidades de isolamento da população? Há exemplos de cidades que conjugam bem essas duas perspectivas?

O encontro e a convivência são fundamentos da nossa sociedade. O território para estes fenômenos são as cidades onde hoje habitam milhões e milhões de pessoas. As cidades devem garantir as condições de saneamento básico e saúde ambiental, provendo as condições de mobilidade, transporte público com conforto e segurança, e prever espaços públicos, parques, praças, áreas de convivência de modo proporcionar a uma vida saudável para todos seus habitantes.

Em especial as habitações, que são a maior parte do território urbano e onde passamos parte importante de nosso tempo, mesmo dormindo, precisam garantir condições básicas de salubridade, como ventilação e iluminação natural. Tudo isso pode ser construído através de políticas públicas, como programas de planejamento para urbanização de favelas, assistência técnica para melhorias habitacionais, entre outros. Ou seja, existem os instrumentos, o que há é negligência do poder público e da sociedade, e isto ficou claro com a crise provocada pela pandemia. O isolamento, o afastamento social, quebrou a interação entre grupos, e sentimos muito esta mudança. Mas é o que podemos fazer hoje pela saúde coletiva, é a nossa contribuição.

Como o advento das tecnologias – comunicação virtual, controles remotos – impactam de forma positiva e negativa a vida nas cidades?

Muita coisa mudou com a tecnologia. O transporte e a alimentação são exemplos de transformações. E podemos aplicar a tecnologia também na prevenção e promoção da saúde, assim como no transporte coletivo e de alta capacidade - ônibus, metrô, trens e barcas, garantindo melhor desempenho, conforto e segurança. A tecnologia também deveria estar atendendo a programas de promoção e prevenção da saúde, como alimentação saudável, exercícios físicos, vacinação entre outros.

Que lições a pandemia do coronavírus nos dá?

Creio que a maior lição é a respeito da saúde coletiva, sua importância e relevância. Afinal súde é vida, e sem vida nada mais tem importância. O importante após a crise é buscarmos formas de prevenção e promoção da saúde, sobretudo a saúde coletiva que é a parte que nos coloca em colaboração. Poderíamos concluir que a cooperação e a solidariedade são os nossos instrumentos para buscar maior segurança na saúde coletiva.

Que novos temas poderão ser debatidos no UIA2021RIO após essa triste experiência que estamos vivendo?

Já estávamos preparando o seminário do Grupo de Saúde Pública, o UIA-PHG, totalmente integrado ao Congresso. Propomos dois temas transversais aos eixos temáticos que são: Cidade e Saúde, onde pretendemos debater temas como Saúde Urbana, Saneamento, Habitação Saudável etc; e Arquitetura para a Saúde, com temas relevantes como tecnologias para construções de hospitais, laboratórios e indústrias farmacêuticas. As favelas e os hospitais modulares terão muito destaque nos debates.



Realização

Promoção

Parceiros Institucionais

Apoio Institucional

Parceiro em Artigos & Projetos

Parceiro de Mídia

Agência de Viagens

Expo

Produção

Secretaria Executiva