POR

Maré-Cidade: Terceiro Lugar

Autor: Felipe Giacomin Gripa
Coautores: Guilherme Silvério Dias, Júlia Morais Peredo, Nathalia P. F. Pinto e Priscilla Mitie Wazima
Universidade de São Paulo – FAUUSP
Orientador: Caio Santo Amore de Carvalho
Segundo Orientador: Karina Oliveira Leitão
São Paulo, Brasil

Transpondo Fronteiras

O projeto de intervenção urbana na região da Maré, Rio de Janeiro, surge como uma resposta à necessidade de repensar a relação desordenada entre a favela e a estrutura da cidade. Começando com a premissa de que a região da Maré possui uma urbanidade desigual e vigorosa, a intervenção se insere de uma forma a dar apoio à vitalidade urbana e expandi-la através da articulação de sistemas de espaços livres, infraestrutura urbana, habitação e equipamentos públicos. Todos populares, democráticos e universalizados.

Através da análise da ocupação urbana, é possível observar que a Maré está rodeada por vias expressas e grandes infraestruturas, principalmente por causa do planejamento urbano para veículos do século XX. Além disso, existe uma segunda barreira para integrar a cidade que é a da estrutura industrial, que atualmente está muito subutilizada. Além disso, ao examinar as ortofotos é possível verificar uma constante pressão por habitações na região. Muitas das antigas estruturas industriais foram ocupadas precariamente e atualmente muitas ruas estão totalmente ou parcialmente ocupadas por casas.

Analisando mais atentamente é possível observar uma estrutura feita de grandes blocos e lotes, calçadas pequenas e de baixa qualidade, vegetação escassa e poucos e perigosos cruzamentos urbanos. O terreno desta local é composto por grandes lotes subutilizados e grandes estruturas auto absorventes, todas separadas da vida da cidade por muros com cacos de vidro, tornando o local menos atraente e diminuindo a autoestima da população da região. Ao mesmo tempo, a estrutura edificada compõe uma parte da história da região e não pode ser relegada.

Todas estas questões podem ser aprimoradas através de uma proposta sensível de projeto urbano e paisagístico que busca inserir a Maré à Cidade e assim estabelecer a região como parte integrante da estrutura urbana do Rio de Janeiro. Afinal, a região é importante para a metrópole onde opera e é reconhecida em todo o país. Portanto, a intervenção pode ser vista como uma ponte que unifica os limites que não conseguiam se conectar, uma intersecção entre áreas que coexistem, mas não conseguem compartilhar seu espaço social. Buscamos criar um sistema de intervenções, guiadas basicamente pelo sistema de espaços livres, que inclui a recuperação e o projeto de ruas, espaços públicos, provisionamento de habitações e a integração da herança local material e imaterial através de uma nova ocupação urbana consciente.

Começando com o estudo da região da intervenção, foram observadas três áreas atraentes, considerando seu uso como centralidade e o potencial de se tornar uma centralidade. Nesse sentido, as intervenções foram direcionadas para atender estes núcleos, assegurando o tipo correto de mediação para cada região.

Com o objetivo de reconfigurar a conectividade dentro da estrutura urbana, a Rua Flavia Farnesse possui uma característica estratégica para as intervenções, pois, além de articular as regiões atraentes, pode também ser responsável por receber o fluxo de pessoas vindo diretamente da favela, comportando-se como uma binária com a Rua Principal. Desta forma, a Rua Flavia Farnesse seria reformada para atender ao novo significado na estrutura social, equipada com calçadas generosas, mobilidade urbana, pista de ciclismo e infraestrutura.

Para estas transformações na escala urbana do território, as intervenções são propostas como uma maneira de honrar a paisagem e a história urbana da arquitetura brasileira, especialmente Demetre Anastassakis e sua contribuição para a habitação social. Intervenções que acompanham as novas articulações dentro da estrutura urbana para possibilitar o microcosmo do cotidiano, isto é, intervenções menores inseridas em locais estratégicos para diluir a barreira espacial composta pela estrutura industrial adjacente à Maré. Tendo isso em mente, buscamos unir dois mundos diferentes baseados na sua conexão e um acesso menos desigual aos serviços urbanos e infraestrutura. Portanto, prevemos a integração da Maré com a Cidade do Rio de Janeiro, assegurando o direito aos seus residentes de coabitar e permanecerem juntos com aqueles que apreciam o urbano, principalmente para reafirmar e assegurar seus direitos à cidade.



Realização

Promoção

Parceiros Institucionais

Apoio Institucional

Parceiro em Artigos & Projetos

Parceiros de Mídia

Agência de Viagens

Expo

Produção