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Coletivo: a forma de pensar e fazer arquitetura no século XXI

13/02/2020
O Norte - Oficina de Criação

Em 1996, quando foi fundado, em Belo Horizonte (MG), o estúdio Arquitetos Associados apresentava um modelo de organização ainda não muito comum no mercado: os sócios se propuseram a constituir um coletivo, aberto a participações de outros colaboradores. De lá para cá, essa tem sido a opção de diversos profissionais da arquitetura no mundo todo. “Dos processos de criação autorais, que marcaram o século XX, evoluímos para processos colaborativos, mais condizentes com o século XXI”, garante Carlos Alberto Maciel, um dos fundadores dos Arquitetos Associados, e palestrante do 27º Congresso Mundial de Arquitetos.

Para o presidente do IAB-RJ, Igor de Vetyemy, “os coletivos têm se consolidado em diversas áreas profissionais e ganham evidência também na arquitetura. São organizações horizontais, flexíveis, multidisciplinares, pautadas pelo compartilhamento de tarefas, responsabilidades, méritos, ônus e bônus”, diz.

Carlos Alberto conta que o Arquitetos Associados já teve muitas formações diferentes e que, desde 2008, conta com o mesmo núcleo de sócios trabalhando junto a diversos outros profissionais em cada projeto. “Esse modelo, mais flexível, nos permite avançar por caminhos diversos e enriquecer cada vez mais o nosso portfolio. Essa alternativa nos permite o diálogo com perfis distintos”, diz. Ele acredita que “se fosse uma sociedade convencional, o estúdio, provavelmente, não existiria mais”.

Também constituído no “século passado” – em 1998 –, O Norte – oficina de criação é outra iniciativa de arquitetos que se juntaram com o propósito de trabalhar de forma coletiva e não só na arquitetura, mas também na produção de design, artes visuais e projetos culturais. “Nós nunca nos pautamos por um único nicho de trabalho, sempre procuramos transitar por universos diferentes. E isso ficou fácil pois compartilhamos um espaço físico com outros coletivos que não são específicos de arquitetura”, conta Bruno Lima, um dos fundadores do O Norte, que também confirmou participação no UIA2020RIO.

Ação do AtelierVivo, uma parceria de O Norte com os arquitetos
Michael Phillips e Natan Nigro e com a Marcenaria Olinda.

Para ele, esses modelos de organização também se consolidam em virtude das facilidades de comunicação e da nova “cultura de rede”. “Hoje é muito mais fácil você conhecer pessoas ou iniciativas que tenham qualquer afinidade com o que faz ou pretende fazer e isso induz a aproximação, a troca, o compartilhamento, a criação conjunta”. Nesse aspecto, o presidente do IAB complementa: “o trabalho coletivo é um caminho mais lógico para uma geração que está amadurecendo em um mundo no qual o fluxo de informações e demandas é cada vez mais dinâmico e incessante. Esse fenômeno está relacionado à evolução sem precedentes das tecnologias da Informação e Comunicação”.

Bruno Lima destaca ainda que o trabalho do arquiteto na contemporaneidade tende a ser mais ativo: “temos uma nova concepção do que é demanda. Antes o arquiteto trabalhava de forma mais passiva quando recebia uma encomenda. Hoje, a demanda é algo que nós provocamos, a partir de ideias e propostas para melhorar as sociedades e as cidades”.

Integrante do Comitê Científico do UIA2020RIO, a arquiteta Elisabete França comenta que os coletivos têm sido atuantes ao apresentar propostas para a cidade contemporânea. “Acho também que é uma forma de organização profissional que responde aos desafios dos jovens para o ingresso no mercado de trabalho. São afinidades que vêm da universidade e vão reunindo pessoas com os mesmos propósitos”.

E o resultado muitas vezes é o sucesso: não têm sido poucas as premiações conquistadas por projetos coletivos.



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