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Todos os mundos, um só mundo

11/04/2020

Trump, Boris e Bolsonaro com a pandemia viram o vírus atingir sua base retórica político-ideológica. Suas ações erráticas sugerem que o corona lhes tonteou.

Em instigante livro de 2018, “Ruptura” (ed. Zahar), o sociólogo Manuel Castells estuda a crise da democracia liberal e analisa cinco casos, entre eles EUA (Trump) e Grã-Bretanha (Brexit).

Segundo o autor, Donald Trump formou a sua retórica na xenofobia, no nacionalismo, no isolacionismo, na política identitária, “em crítica feroz ao cosmopolitismo e à ‘tolerância intelectual’ dos setores acadêmicos, midiáticos e financeiros.”

Eleito, anulou os principais tratados comerciais multilaterais, tirou os Estados Unidos do Tratado do Clima. Diz Castells: “o que parece um desvario é coerente com a personalidade narcísica; ele precisa de adulação contínua, fidelidade incondicional.”

Trump negou o coronavírus: uma gripezinha.

Boris Johnson foi líder do Brexit. Sair da União Europeia é atender aos que se sentiam atingidos pelo globalismo, pela perda de empregos sugados por imigrantes europeus. Significa “retomar o país para os britânicos”. Como corolário, a segregação.

No governo, Boris, comprometido com a autonomia britânica, minimizou a pandemia estrangeira. Não admitiu que a Grã-Bretanha fosse caudatária de uma crise mundial.

Mas a crise é uma evidência absoluta da interdependência em que o mundo se encontra, onde o isolacionismo e o antimultilateralismo, do tipo anti-OMS e anti-ONU, não fazem sentido.

Trump e Boris tiveram que recuar. Submeteram-se ao sistema científico-acadêmico e à dependência internacional de equipamentos, insumos e redes médicas e de pesquisa.

No Brasil, o presidente Bolsonaro não conseguiu acompanhar os recuos de Trump e de Johnson. Simulou. Recuar enfraqueceria sua retórica que nega a Ciência, a academia e a pesquisa. Seria admitir outros talentos preparados para gerir a crise — e isso sua personalidade, à semelhança do presidente americano, parece não permitir.

Jair Bolsonaro está em uma guerra onde os inimigos mudaram, os vírus são inatingíveis pelos tuítes. A guerra abate a confiança no pibinho, que submerge. Sairá da armadilha que a história lhe armou?

Cada crise tem suas saídas. A de 2008 reiterou a hegemonia do mercado financeiro com trilionários recursos públicos. Reforçou a desigualdade, a segregação, o sentimento antiestablishment e antidemocracia. Os líderes de hoje beberam nesse caldo.

Esta nova crise, em especial, nos indaga sobre como nos organizamos no planeta, como tratamos nosso ambiente e o espaço que habitamos.

Organizações, instituições e empresas comprometidas com o clima, com o planeta, com a cidade, com a Humanidade!, serão as líderes na cultura, na política e na economia. Talvez seja o verdadeiro começo do século 21.

Como o Brasil se colocará?

Se quiser, poderá buscar nas suas fragilidades a força para reerguer a economia, os empregos e o próprio país. Será hora da cidade desassistida. O corona é urbano.

Temos recursos financeiros e técnicos para universalizar água e esgoto nas favelas e periferias do Brasil, urbanizá-las; promover transporte de alta capacidade nas grandes cidades; sobretudo, para investir em melhora da moradia, que tire a família pobre da insalubridade em que se encontra(nada do tipo Minha Casa Minha Vida). E que permita construir na regularidade urbanística os novos 40 milhões de domicílios, que necessariamente serão construídos até o final dos anos 2030.

Mais do que nunca, somos Todos os Mundos, Um Só Mundo. Que o drama passe. Que possamos construir caminhos solidários rumo à equidade. A desigualdade crescente não tem mais lugar.



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